TV infernal, canal zero, zero

(Foto: Josiel Martins)

(Foto: Josiel Martins)

É visível em todo o estado do Piauí o brutal desrespeito a legislação vigente no Brasil pertinente a pessoa com deficiencia, autoridades que deveriam ter o devido cuidado para garantir a acessibilidade adequada, perfeita e autentica, eximem-se sorrateiramente desse compromisso, enclausuram-se em seus gabinetes em eternas e intermináveis reuniões e não apresentam qualquer projeto para elucidar o grave problema de formação de barreiras arquitetônicas e outras infinidades de impedimentos ao ir e vir da pessoa com algum tipo de deficiencia em virtude de sua dificuldade de locomoção e mobilidade reduzida.

Fui surpreendido nessa manhã por vastíssimo conteúdo midiático informando a intervenção do MP Piauí na liberação da praça de esportes Albertão para o jogo desta noite entre Santos/SP X Flamengo/PI pela copa do Brasil. A excelentíssima senhora Marlúcia Gomes Evaristo de Almeida, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Pessoa com Deficiencia declarou a inexistência de acessibilidade adequada no estádio em conformidade com a legislação. O que é cômico, inusitado e lamentável é o interesse precoce em relação unicamente a esse evento esportivo de repercussão nacional, suscita-me dúvida que o objetivo principal de toda essa veemente e severa atitude por parte da zelosa promotora, prende-se simplesmente em buscar notabilidade e notoriedade perante a opinião pública do Brasil, pois se trata de uma competição nacional.

A pretensão é vender o tradicional gato por lebre para o país dando a conotação que o segmento da pessoa com deficiencia do Piauí é exemplo para o Brasil e para o mundo, qualquer indivíduo por mais imbecil que possa ser, consegue detectar metro a metro desse território piauiense a desgraça e desrespeito que envolve a tal acessibilidade a essa classe adjetivada pejorativamente de minorias. Nessa maquiagem ludibriadora implantada para dar satisfação à opinião pública alcançou o nível máximo de descompromisso ao edificar rampas provisórias como garantias a acessibilidade, o cruel de todo esse degradante episódio é que uma cadeirante ao visitar esse improviso demonstrou muita felicidade e aprovou sem restrições, argumentando que o resto seria corrigido depois.

Com esse infeliz procedimento, é difícil, impossível e irreversível combater a pior barreira existente aterrorizando a garantia a locomoção, ela é simplesmente abstrata, refiro-me ações atitudinais, sempre trabalhando muito forte para descaracterizar e desmoralizar  o ínfimo número de pessoas com deficiencia conscientes, informados e indignados contra essa postura de velado oportunismo de autoridades, governantes, puxa-sacos, capachos e subservientes.

Amanhã quando o resultado da partida de hoje for proclamado, todos esses inúteis interesses cairão por terra a espera de mais um evento para que ressurjam de abnegadas novas causas perdidas que lhes assegurem vida confortável e nababesca, percebem invejáveis salários oferecendo em troca do mesmo bravatas, balelas e lero-lero em microfones em frente a câmera de televisão. Dou como exemplo clássico, essa mesma autoridade que verbaliza com tanto rigor defender os interesses acima mencionados, é a mesma que concedeu parecer favorável à proibição de instalação de sinais sonoros ao longo da Avenida Frei Serafim ao arrepio vergonhoso a Lei 10.098/2000, art. 9º. Caro leitor, tire suas conclusões e veja qual lado está a razão.



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Este texto foi publicado em quarta-feira, abril 10th, 2013 às 9:10 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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