Tutor de mudo, cego, doido e aleijado

O Brasil é signatário da convenção da ONU realizado em Salamanca na Espanha que decidiu as nomenclaturas: pessoa com deficiência visual, pessoa com deficiência auditiva, pessoa com deficiência intelectual, pessoa com deficiência física, muletante, cadeirante, pessoa com síndrome de Down, pessoa com autismo, múltiplas deficiências e deficiências sensoriais. A redação dessa convenção foi ratificada na constituição do Brasil tornando-se lei, tal qual as leis brasileiras aprovadas pelo congresso nacional, sancionada pelo presidente da república e publicada no Diário da União.

A vigência da lei federal de número 13.146/2015 em seu bojo, assegura todas as garantias do estatuto brasileiro da pessoa com algum tipo de deficiência. Existe no Brasil gigantesco arcabouço jurídico de proteção a 46 milhões de pessoas existente no Brasil com algum tipo de deficiência, dados do IBGE censo 2010.

A convenção de Genebra na Suíça é referência as demais, como também servindo como motivação para criação de nova legislação, cito: Lei 7.256 de 24 de outubro de 1989, 10.048 e 10.098, artigos 3.298/1999 e 5.296/2014, lamentavelmente são apenas e tão somente letras mortas escritas em papel de enrolar pão, desrespeitadas criminosamente por todos, indiferentemente de credo, cor partidária, posição social e intelectual.

As aberrações, humilhações depreciações e outros são exercidas diariamente sem o mínimo sentimento de responsabilidade dos autores. Nesse viés o piauí é campeão dessas ignomínias, quando despautérios pronunciados em desfavor dessa categoria adjetivada de minorias protagonizadas em público, cujos pronunciamentos inócuos declinados em pseuda importante solenidade, seu autor “pica grossa” é aplaudido efusivamente por plateia de capachos, bajuladores e subservientes.

O Congresso Nacional formado por 513 deputados federais e 81 senadores não trabalha de graça, custa os olhos da cara do contribuinte. As leis aprovadas por esse poder como tantas outras existentes nas 27 unidades federativas do Brasil, deve ser rigorosamente obedecida, aplicada e executada retilineamente aos objetivos para as quais foram criadas, promulgadas e publicadas nos diários federal, estaduais e municipais.

Sou pessoa com deficiência visual, há 45 anos milito nesse segmento, há 4 décadas tenho convicção de minha doação para a consolidação na política de acessibilidade vigente no Brasil pertinente a garantias de direitos a pessoa com algum tipo de deficiência. Ao longo de toda trajetória sinto-me exaurido e vencido pela manutenção e gigantesca irresponsabilidade por parte de espertalhões, oportunistas de plantão, omissão, negligencia de autoridades, instituições, autarquias, poderes, clero e outros que promovem atos desumanos, desastrosos e humilhantes aos cidadãos que são diferentes do padrão exigido em uma sociedade, não reconhecendo nesse contingente ser capaz, trabalhador, digno conseguindo sobreviver do suor da labuta diária como trabalhador idêntico ao dito normal perante o conceito público, preconceituoso, discriminador e excludente.

Constata-se que os movimentos evolutivos e desenvolvimentistas dessa categoria continuará não sei até quando dando um passo para frente e cinquenta para trás.

Carlos Amorim DRT 2081



Este texto foi publicado em quinta-feira, março 21st, 2019 às 8:17 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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