Toda nudez de aluno sera castigada

Em 1966 estudei em colégio interno na cidade de Arari, baixada do Mearim MA, o fundador e diretor do estabelecimento Pe. Clodomir Brandt e Silva, as quintas-feiras reunia na igreja o alunado da 1ª a 4ª série do curso ginasial para uma palestra, quando tratava de todos os temas, era um tipo de vale tudo ou lavagem de roupa suja em público, as advertências do vigário as vezes invadia a privacidade das meninas, como relato de cartas amorosas aos internos ou o tipo de roupa contestada e repudiada pelo rigoroso mestre.

Após atualizadas as reprimendas dos fatos registrados no decorrer da semana a reunião direcionava-se a realização da aula de oratória, quando os alunos preestabelecidos no evento anterior discursavam no altar da igreja sob olhares e ouvidos atentos da plateia em absoluto silêncio, para ao final aplaudirem ou não o tribuno sob avaliação criteriosa, rigorosa e exigente do Pe. Brandt.

Faço esse registro para repudiar a manifestação de falastrões travestidos de componentes do corpo docente do magistério brasileiro, que de forma equivocada e irresponsável defende a transformação da sala de aula em palanque político para em lugar de disciplina curricular, dissertarem e massificarem aos alunos de forma amiúde doutrinas, ideologias, discussão de gênero, homoafetividade, lavagem cerebral e proselitismos políticos de assistencialismo a massa ignara proletariada.

O Pe. Brandt não admitia em hipótese alguma que o professor em sala de aula desvirtuasse sua matéria curricular em substituição a qualquer outro tema, exemplo: O professor de matemática José Ericeira, jamais poderia usar seu tempo em sala de aula para comentar futebol, embora fosse uma de suas predileções, nem tão pouco comentar o rebolado das meninas no clube do Biné Abas, avô da Célia, como também, a Dinaci Correa, professora de Francês, não poderia jamais trocar sua matéria específica por comentários culinários ou algo que o valha, entendo que essa postura é exatamente a correta, que deve ser seguida por mestres em suas atividades funcionais.

A discussão da escola sem partido repreende e desmantela defenestrando de vez a má conduta de aficionados e adeptos ao processo nefasto de empurrar garganta abaixo suas frustrações, desejos e decepções de pensamento ao alunado, imputando aos mesmos a obrigatoriedade de reconhecer a imposição do professor o verdadeiro caminho a ser seguido.

Sou absolutamente contrário ao desvio de finalidades do professor em sala de aula, percebo tratar-se de estupro a entrega de conhecimento científico, filosófico e pedagógico. Tenho ouvido manifestações de especialistas, mestres, doutores e PHDs que o fato de impedir a escola sem partido por si só já é um ato partidário, além de prejudicar liberdades garantidas no artigo 5º da constituição, proíbe a deflagração de um debate submetendo ao professor limitações e os transformando em robô mecanizado e programado.

Em 25 de novembro de 2017 participei de solenidade de 100 anos de nascimento do Pe. Brandt, a convite de contemporâneos, cito: Dr. Cleones de Carvalho Cunha, médico Nerly Cutrim, jornalista Luis Ewerton e muitos outros que beberam na fonte do saber arariense, portanto a cada dia que vivo minha admiração pelo saudoso padre aumenta de forma exponencial, quando há 50 anos protagonizou de forma pioneira o que seria discutido de forma exacerbada nos dias atuais, ou seja, disciplinando, organizando, determinando e dividindo tarefas em conformidade com o adágio popular “cada macaco no seu galho”.

Me coloco como exemplo, não necessito de qualquer tipo de informação para decidir minha orientação sexual. É importante que o magistério se comporte como um farol plantado em uma barra marítima para direcionar os navegadores ao porto seguro.

Carlos Amorim DRT 2081



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Este texto foi publicado em sábado, dezembro 1st, 2018 às 10:45 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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