Saudade, fonte de emoção

Nesta data realiza-se na cidade de Arari-Ma festejo religioso católico de Bom Jesus dos Aflitos, uma tradição na cidade que foi cultuada pelo Pe. Clodomir Brandt e Silva de saudosa memória. Por ter tido a oportunidade de estudar no Ginásio arariense nos anos 60, fui privilegiado em participar e vivenciar intensamente todo o glamour, alegria, felicidade e as emoções emanadas do convívio do extraordinário povo arariense, após a missa em homenagem ao santo, aglomerava-se toda a população da cidade na praça da matriz, quando todos misturavam-se indistintamente, dançando, sorrindo, se abraçando e degustando uma loura gelada, pois ninguém é de ferro.

Os acontecimentos da festa eram anunciados por mim, responsável pela locução do serviço de auto-falante”Voz de Arari”. Tinha que me desdobrar para atender a todos com exigentes pedidos musicais, cito, Paulo Sérgio, Nilton César, Wanderléa, Roberto Carlos, Renato e seus Blue Caps, Os Incríveis, José Roberto e Jerry Adriani, entre uma música e outra anunciava abraços e saudações, as mais belas moças da cidade, a pedido de seus paqueras, amigos, admiradores, apaixonados e namorados, ato severamente repreendido pelo “Leleco”, que desaprovava as mensagens. Outra atribuição seria receber os envelopes com donativos endereçados a igreja, pois o padre tinha controle absoluto dos colaboradores e respectivos valores.

O ultimo ano que participei desse evento fiz um pesquisa com todos os internos, era em número de 30 para eleger a menina mais bonita da cidade, o resultado não foi divulgado, houve vazamento e o padre proibiu que a homenagem fosse veiculada no serviço de auto-falante, pela primeira vez vou revelar as três contempladas, sendo a primeiríssima a jovem de prenome Glacimar, o segundo lugar foi Marly Cutrim e o terceiro lugar ficou com a Graça Silva, popular Gracinha, vizinha do senhor Rui, telegrafista dos correios. Imagino que após 52 anos aquelas jovens maravilhosas tornaram-se mães de famílias e jovens avós que ficarão surpresas com o título que receberam que permaneceu oculto até a presente data.

O meu voto foi foi para a Glacimar por dois motivos, o primeiro pelo olhar que lançava ao fitar alguém, de forma disfarçada com o canto do olho, o segundo motivo foi sua forma de andar, caminhava com passos miúdos e rápidos, nós internos a batizamos de coelhinha.

É importante informar que todos os alunos internos eram de outras localidades, tínhamos uma convivência harmônica com moças e rapazes da cidade, era exatamente no período da festa do Bom jesus dos Aflitos que eramos liberados da prisão do internato e gozávamos de plena liberdade para, namorar, abraçar, dançar e entre um refrigerante e outro degustávamos uma batida de limão manipulada com cachaça pitu, daí em diante indubitavelmente os excessos e transgressões eram 3, 4 horas de joelho, cumulado com 12 bolo de palmatória em cada um dos recalcitrantes, mas tudo valeu a pena fato este que estou saudoso e emocionado descrevendo detalhes de uma história de minha vida que não voltará jamais.

Quero deixar claro que o internato arariense era um tipo de instituição de correição, para colocar o pião no caminho certo, graças a Deus, eu e meus contemporâneos de cargas tortas, somos gratos pela educação que recebemos para que fossemos os homens e cidadãos que somos nos dias atuais. Não tenho conhecimento que um se quer tenha se desviado do caminho correto da dignidade, responsabilidade, compromisso, probidade e crescimento.

É unanimidade entre todos os internos contemporâneos do Cleones de Carvalho Cunha, que este é o maior referencial do bom exemplo para todos nós, detentor de currículo invejável e vitorioso em todos os seus empreendimentos.

Um abraço a minha querida Arari, que tenha vida eterna.

Carlos Amorim DRT 2081

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