Redundância apelativa

8 de março, dia internacional da mulher, há mais de 40 anos essa data é referenciada ao trágico episódio ocorrido em uma fábrica têxtil, quando morreram queimadas acima de 100 mulheres operarias enquanto reivindicavam salários e melhores condições de trabalho da sua labuta diária.

Como em todo segmento de atividades humanas existem os bobos, espertalhões e os oportunistas de plantão, não poderia ser diferente as mulheres superdotadas que tiram proveitos para si da ignorância e desconhecimento da grande maioria de mulheres neste país, vejamos: mulher casada, mulher mãe, mulher esposa, mulher trabalhadora, mulher dona de casa, mulher avó, mulher neta, mulher madrinha, mulher afilhada, mulher tia, mulher porque é mulher, mulher prostituta, mulher vítima de violência, mulher reclusa em penitenciaria, mulher drogadita, mulher desonesta, mulher bandida, mulher criminosa, mulher mentirosa, mulher irresponsável, etc.

Nessa quinta-feira (8) as homenagens a mulher fonte geradora de vida, nos veículos de comunicação do estado e do Brasil foram de forma exacerbada, enjoativa e cansativa, me esforcei para identificar o motivo de tanta alegria, tanta felicidade, tanta realização assegurando provimento ao reconhecimento da mulher.

De duas em duas horas é assassinada uma mulher no Brasil, doze homicídios diariamente vitimando mulheres, a famigerada Lei Maria da Penha de nº 11.340 empurra e incentiva a mulher a denunciar violências qualquer que seja em seu desfavor, mas não assegura as devidas proteções que lhes garantam a condição de sobrevivência da reação criminosa do denunciado. Dados estatísticos oficiais afirmam que 5 milhões de crianças não tem nome do pai na certidão de nascimento. Falta a mulher garantias a escolaridade, milhares de mulheres morrem anualmente acometidas de câncer, a farmácia popular publica não disponibiliza a medicação adequada a quem dela necessita, especialmente os de valores altíssimos, medicação de rejeição de transplantes, drogas para controle de pressão e uma gama de outros produtos de responsabilidade do estado brasileiro.

A mulher idosa vive em petição de desgraça, abandonadas em asilos, morrendo de fome nos muquifos periféricos. O transporte coletivo urbano desrespeita de forma estúpida o estatuto do idoso, as instituições legalmente constituídas para proteger essa comunidade, como exemplo Ministério Publico, Justiça Federal, Tribunal de Justiça, Procuradoria da República/PI, OAB, Defensoria Pública e mais uma série de entidades fingem proteger idosos desprovidos.

Os veículos de comunicação não disponibiliza em sua grade de programação uma única palavra como matéria educativa, informativa, conscientizadora e politizadora como forma de assegurar qualidade de vida a idosas com dificuldade de locomoção ou mobilidade reduzida, entretanto no seu dia a dia as mais indecentes barreiras e obstáculos, dificuldades ao seu ir e vir, barreiras arquitetônicas, rejeições atitudinais, preconceitos, discriminações, retaliações, represália, exclusões e humilhações, calçadas desniveladas provocam às mulheres da terceira idade gravíssimas patologias ósseas com o agravante de autoridades que assistem a tudo de braços cruzados torcendo forte para que as vítimas desse tipo de acidente parta desta para uma melhor, ocupando uma cova rasa em um muquifo qualquer lá em Deus me livre.

No campo da politica, o Brasil assistiu uma novela envolvendo Cristiane Brasil, que durou 2 meses, quando a deputada brigou para ocupar o cargo de ministra do trabalho brasileiro. Como essa senhora é deputada, indubitavelmente sua eleição pertence ao prestígio do seu pai, em conformidade com exemplos nítidos e visíveis em todo país, quando a mulher detentora de mandato é reconhecida como uma jabota na copa de uma palmeira de babaçu com altura de 100m, facilmente identificável como sendo obra de terceiros. Na câmara municipal de Teresina dentre 29 vereadores apenas 4 são mulheres, Assembleia Legislativa do Piauí dentre 45 deputados somente 4 são do sexo feminino.

Não é necessário estender esse tema por minucias explicativas, porquanto os 3 milhões e 200 mil habitantes do estado do Piauí sabem e reconhecem todos os pormenores dos espaços ocupados pela mulher, nesse campo e em outros sempre existe a presença de um bonitão que pode ser da família ou estranho para garantir ascensão a essas produtivas e inúteis personalidades.

Os exaustivos discursos de hipócritas e medíocres de ambos os sexos proclamam e garantem que muito foi feito pela emancipação da mulher, pela garantia de direitos e outros leros, mas não consigo me convencer desse avanço e desenvolvimento sobrenatural da mulher. Se fizermos breve avaliação esbarraremos no Congresso Nacional com 81 senadores e 513 deputados, sendo menos de 30% das vagas ocupadas por mulheres. É importante frisar que a população brasileira é formada pelo contingente de mais de 50% de mulheres.

Com base nesses dados a mulher precisa urgentemente se rebolar incansavelmente para conseguir voar sozinha, sendo sustentada pelas suas próprias asas de forma independente, soberana, livre e absoluta. Entendo que todo lero-lero verbalizado nas tais homenagens é história pra boi dormir, como tambem lembra um samba tocado em caixa de fósforo em um dos ambientes do empresário da noite Sargentelle e suas exuberantes mulatas, legitimas representantes da euforia de turistas do mundo inteiro que visitaram o Rio de janeiro. Posso classificar toda essa miscelânea, autentica areia movediça que sucumbirá as desavisadas, iludidas e eufóricas feministas.

Carlos Amorim DRT 2081



Este texto foi publicado em sexta-feira, março 9th, 2018 às 9:57 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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