Quem pode manda, quem desobedece passa fome

Concessões públicas de rádio anos 70, Rio de Janeiro: Nacional, Roquette Pinto, MEC, Globo, Tupi, Mauá, Guanabara, Capital, Bandeirantes e outras, históricos profissionais recordistas de audiência: João Saldanha, Haroldo de Andrade, Antônio Carlos, Ruy Porto, Mário Vianna, Odair Marzano, José Messias, Daisy Lúcidi, Waldir Vieira, Big Boy, Marco Aurélio, Adelzon Alves, José Carlos Araujo,  Francisco Carioca, Carlos Henrique e outros.

Ao fazer comparativos do fenomenal rádio do passado com o que existe na atualidade, percebo facilmente que o rádio está dividido em duas partes, sendo a banda bandida em coma na UTI e a banda podre da imprensa radiofônica em fase de extinção. Identifico sem muito esforço gigantesca maledicência dos que fazem a radiodifusão brasileira, ludibriam, enganam, confundem, vilipendiam e mentem de forma descarada a opinião pública. É facilmente identificável o processo rigoroso de censura, culminando com rígido controle do que pode ser falado nas pautas (jornalísticas) previamente estabelecidas e manipuladas, com objetivo único de venderem gato por lebre.

O Incauto ouvinte e participante dessa excrescência muita das vezes por ser ignorante tem o desplante de elogiar tal programação, motivando os apresentadores, ancoras, jornalistas e radialistas a expressarem inverdades inaceitáveis, por exemplo: “Só nós damos oportunidade as pessoas falarem livremente o que quiserem, é a rádio mais democrática do Piauí”. Outras mais exageradas abrangem o autoelogio a espera nacional.

É importante levar ao debate a inquietação do reles, mísero proletariado se manifestando referente o lixo que o carro não recolheu no gueto onde reside, esse tipo de denúncia tem amparo respeitoso da democracia dos Estados Unidos da época do Lyndon Johnson, todos aplaudem e assumem compromisso que o jornalismo de resultado vai tomar providência a resolutividade do fato

Agora quando a denúncia refere-se a roubalheira do Firmino Filho, prefeito de Teresina, que se apropriou indebitamente de 25 milhões de reais do subsídio do transporte público que graças as cláusulas pétreas ainda não foi enforcado em praça pública, levantam-se infernos e demônios em defesa do coitadinho do delinquente, sempre com o alerta repetitivo e cansativo, avisamos ao ouvinte que é responsável pelo que fala, pedimos que respeite e seja gentil com as autoridades.

Esse tipo de postura me remete a entender a importância do valor da mídia institucional com seus objetivos escusos, consegue comprar mordaças, silêncios, censuras, omissões, cumplicidade e desonestidade, posso adjetivar de alquimia, quando tudo pode transformar-se em ouro ao toque da mão do alquimista de plantão.

Esses indecorosos episódios têm sustentações graças à imbecilidade de analfabetos, famintos, desempregados, sem teto, abandonados, excluídos e anticidadãos, presas fáceis a manipulação de canalhas e bandidos que coagem, corrompem, controlam e dominam o gado velho, gado novo e gado doente com seu próprio dinheiro retirado dos cofres públicos, por métodos dos mais variados que se possa imaginar no quesito roubos e furtos, e por incrível que pareçam a gentalha continua amando, idolatrando, admirando e votando nessa casta de canalhas que com muito dinheiro adquirido facilmente conseguem propagar, massificar e divulgar para os tolos uma democracia inexistente.

O comunicador em suas manifestações públicas deveria ter a ombridade de informar a massa imbecilizada que o veículo de comunicação de concessão pública, o dono é o povo brasileiro, que as cláusulas contratuais definem a liberdade de pensamento, expressão, livre manifestação das ideias como sendo direito inalienável do cidadão, jamais poderá ser qualificado como favor do detentor da concessão, este é proprietário apenas dos equipamentos que forma a empresa, exemplo: prédio, equipamentos, stúdio de gravações, a torre da emissora e as atribuições de contratos de profissionais e manutenção. Por incrível que pareça o profissional que ousar oferecer as legítimas e autênticas informações ao grande público estará fadado a ser defenestrado e extirpado para sempre da sua atividade profissional por imposição da classe patronal igualmente corrupta e descompromissada.

O processo de exceção do período ditatorial militar é pinto perante o que se verifica nos dias atuais como censura explícita e ferrenho domínio dos veículos de comunicações por parte de quem tem tinta na caneta.

Minha solidariedade ao jornalista Arimatéia Azevedo, a mais recente vítima da mordaça patronal da imprensa do Piauí, ponha sua barba de molho, a próxima vítima pode ser você.

Carlos Amorim DRT 2081



Este texto foi publicado em segunda-feira, agosto 5th, 2019 às 7:34 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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