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Ontem a tarde estive na residência de uma amiga para que lesse algumas páginas de uma enciclopédia, enquanto lia ouvia em baixo volume programa de uma emissora de rádio, fato que não interferia na captação da mensagem. Me chamou atenção o insistente apelo do locutor solicitando que ligassem para o telefone de número xxxxxx ao tempo em que bravateava escandaloso sensacionalismo barato e mentiro se derramava em elogios ao processo democrático brasileiro, a liberdade de pensamento e expressão, livre manifestação de ideias e massificava o mote principal de seu programa: “Aqui você fala sem corte e sem censura, pode ligar, colocamos você no ar sem se quer perguntar seu nome”.

Fiquei por 2 horas ouvindo aquele papo furado, o tempo que durou a leitura que a Raimundinha realizou, percebi que mesmo havendo imensa massificação do número do telefone não houve uma única ligação, o fato me incomodou, como tambem me chamou atenção pois trata-se de uma emissora de grande abrangência.

Ao chegar em casa sintonizei o programa e realizei dezenas de tentativas de ligações para o número anunciado, o tal telefone estava bloqueado para receber ligação. Esse tipo de procedimento não é fato isolado, é prática contumaz nos veículos de concessão pública de rádio do Piauí, em decorrência de interesses escusos de detentores da classe patronal desse direito, incomodados com as reclamações de ouvintes criam os mais estúpidos pretextos para dificultar, impedir e proibir a manifestação popular, principalmente quando o veículo é patrocinado pela mídia institucional publica, quando denúncias, criticas e reclamações são realizadas como última e única vertente de desabafo.

É evidente que outras razões existem de forma explícita e visível a quem entende do mercantilismo de pautas vendidas e compradas, relises preestabelecidos entre entrevistado e entrevistador, o velho jabá travestido de coelho em pele de lobo é uma constante na imprensa local.

No processo de exceção quando os milicos estabeleceram o ministério da censura, a grade da programação dos veículos brasileiros eram submetidas ao crivo de um censor que envergava o verde-oliva brasileiro, imaginem que em muitas das vezes eram enviados a esses departamentos matérias com 50 laudas, eram liberadas 2 ou 3 no máximo, obrigando o frágil apresentador a promover o tradicional enche tripa para ocupar o espaço vazio e consumir o tempo de duração do programa.

Nessa época proliferou a prática da cultura inútil na TV e no rádio, criaram os programas de culinária, maquiagem, corte e custura e outros de nível semelhante. A comicidade foi um dos pratos mais consumidos na ocasião, Costinha, Zé Trindade, Dercy Gonçalves, Carequinha, Bronco e outros fenômenos da fábrica de sorrisos, bateram todos os recordes de audiência em qualquer que fosse os veículos que estivessem.

Lamentavelmente entendo e reconheço que retrocedemos no quesito liberdade, com um agravante, os ídolos da produção de bobagens eram inteligentíssimos, capazes e dignos do assédio e da idolatria do seu povo, os que existem na atualidade não chegam se quer ao patamar de coadjuvantes, analfabetos funcionais, incompetentes, desprovidos de conhecimentos gerais, no segmento científico, filosófico e pedagógico são verdadeiros quadrupedes em suas prospecções de inutilidades, vaidosos, orgulhosos, individualistas, egoístas, perseguidores e mentirosos, portanto o modelo do rádio e televisão do Brasil deveria sofrer imediata intervenção do Ministério das Comunicações, pois as cláusulas contratuais das concessões são desrespeitadas de forma aviltante, vergonhosa e humilhante.

Nunca houve tanta censura neste país como existe atualmente, camufladas em aparatos tecnológicos com um único objetivo, excluir e dificultar o aceso público nas grades das programações, exemplifico: Mensagens, WhatsApp e demais aparatos das redes sociais é a forma mais cretina de censura que o mundo moderno pode disponibilizar aos irresponsáveis veículos de rádio e televisão de concessões públicas brasileiras.

As mensagens enviadas, rapidamente são empurradas para fora do leiaut em virtude de gigantesca demanda, com um agravante, a maledicência dos ancoras promovem rigorosas triagens, geralmente as contempladas são mensagens garapa com açúcar que não influem e nem tão pouco contribuem, apenas registram fictícias pesquisas da audiência

Carlos Amorim, DRT 2081



Este texto foi publicado em sexta-feira, agosto 3rd, 2018 às 8:32 am na(s) categoria(s) Crítica. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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