Pe. Antônio Vieira, “Sermão do bom ladrão”

Nesse domingo (17), dia histórico para o Brasil, quando a câmara dos deputados federais transformou-se de forma descarada em um verdadeiro Show da Xuxa, a sessão especial que votaria admissibilidade ao pedido de impeachment da presidenta Dilma ao senado Federal, quando às 17h45 o presidente Cunha declarou aberta a sessão a fundamentando com base em leis e artigos constitucionais.  Na ocasião convidou os deputados por estado a aproximarem-se do local de votação e acesso ao microfone, a partir de então teve inicio o objeto principal de estabelecimento da democracia do Império Grego, quando foi criado o projeto “Pão e circo”.

Os parlamentares desenvolveram gigantesca palhaçada, cometeram atentado ao decoro, as instituições, aos poderes, a sociedade civil organizada e a presidenta Dilma Rousseff, expressando palavras de baixo calão, muitas delas impublicáveis, constrangendo toda gigantesca audiência de um pool de veículos de comunicações que transmitiam ao vivo o deprimente teatro para todo Brasil.

Fiquei deveras anestesiado ao ouvir pronunciamentos eivados de mentiras, demagogias, hipocrisias e declarações de explícitas infidelidades. Me chamou atenção a unanimidade de homenagens aos familiares, por exemplo: Pelo meu pai, pela minha mãe, pela minha mulher, pela minha avó, pelo meu tio, pela minha sogra, pelo meu genro, pela minha nora, pela minha filha, pela minhas lindas netinhas Mariquinha, Rosinha e Francisquinha, não esquecendo do neto que está a caminho e nascerá em novembro.

Ficou explícito a preocupação dessa casta, formada por bandidos eleitos através do crivo do voto do gado novo, gado velho e gado doente. O motivo do sufrágio na maioria das vezes só Deus sabe como são conseguidos. Por incrível que pareça apesar de todo amor dedicado à família, houve deputado que levou uma cola onde estava o nome dos familiares, significa dizer que toda aquela falácia era demagogia barata, jogada de marketing.

Um fato pitoresco protagonizado pela deputada Raquel Muniz (PSD), de forma efusiva, desesperada em autos brados ofereceu seu voto ao marido que é prefeito de Montes Claros-MG, usou seu tempo para tecer elogios propagando atos, ações e posturas de uma administração digna, responsável e compromissada do melhor prefeito do Brasil, para surpresa dos brasileiros o homenageado foi preso pela Polícia Federal no dia seguinte, segunda feira dia 18, responde verdadeira miscelânea de acusação de tudo que não se pode fazer com recurso público.

Entendo que a importância e magnitude de julgamento para afastar um presidente deveria ser solenidade restritamente com foco no objeto do procedimento, jamais palco circense para molecagem de quem quer que seja. O povo brasileiro vota mal, vota péssimo, em virtude de vastíssimas necessidades reprimidas que não vale apena mencionar.

O Brasil vive perfeito estado democrático de direito, com poderes e instituições em plena funcionalidade, a razão da sessão especial que descrevo teria o objetivo único de fortalecer, preservar, amparar e desenvolver a democracia brasileira, portanto é inaceitável, inconcebível, intolerável o comportamento do deputado Jair Bolsonaro, que se pronunciou em pleno coração do mais alto poder representativo de defesa democrática do Brasil, de forma ridícula antes de declinar seu voto homenageou torturadores que atuaram no processo de exceção, parte da história negra do Brasil. Vastíssimo comentário discriminatório, preconceituoso e criminoso, incidindo em terrível violência ao texto constitucional brasileiro. É inaceitável, inimaginável a permanência deste anti-cidadão representando o povo brasileiro em uma das casas que compõem o Congresso Nacional.

Reconheço perfeitamente a decepção, desgaste, humilhação e o constrangimento sofrido pela presidenta Dilma Rousseff, mas não posso silenciar perante o argumento cansativo, insustentável, inverídico e improcedente no que se refere ao propalado, propagado e massificado “projeto do golpe”. A presidenta enquanto candidata a reeleição usou recurso financeiro suplementar de instituições bancárias sem autorização do congresso nacional, fato vedado por vastíssima legislação federal pertinente ao caso, adjetivadas de pedaladas. Está nítido, visível e identificável abuso do poder econômico para obtenção de captação ilícita de voto.

Sem titubear os brasileiros recordam que as promessas de campanha, nenhuma foi cumprida, o argumento da presidenta que durante 14 meses os recursos financeiros serviram para alimentar os programas federais como: Bolsa família, minha casa minha vida, Pronatec e outros, necessários para atender importantes anseios da população mais pobre, carente e humilde desse país.

Essa afirmativa me remete a seguinte análise: Imaginemos um hipermercado sendo invadido por um cidadão desempregado, desesperado, faminto e tresloucado, que para manter sua família suprindo-a  o necessário para saciar a fome da prole, para isso mata o dono do estabelecimento e ao ser preso justifica o torpe ato cometido como sendo de grandeza de primeiríssima necessidade, é semelhante o gesto cometido pela presidenta Dilma Rousseff, mais perdida que cego em tiroteio tenta justificar o injustificável desconhecendo que contra fatos não há argumentos.

Outro procedimento refere-se às insistentes declarações da presidenta atirando pra todos os lados ao se autointitular inocente, injustiçada, perseguida, declarando em alto e bom tom que não existe absolutamente qualquer prova de seu envolvimento em ilicitudes ou qualquer outro ato criminoso.

Com base no que tenho acompanhado durante todo o processo elaborado pelo pedido de cassação acatado pelo presidente do poder legislativo federal em cumprimento ao rito, a presidenta teve direito a defesa e ao contraditório e presunção da inocência, prova cabal prende-se a sustentação oral efetuada pelo procurador da república em três ocasiões na câmara alta do Brasil. Todas as fases do processo foram minuciosamente analisadas e avaliadas pela mais alta corte de justiça do Brasil Supremo Tribunal Federal.

Posso informar convictamente 10 recursos de apelação perpetrada pelos patronos da presidenta Dilma na Câmara Federal e no STF sem que tenha logrado êxito em nenhum deles, todos legalmente abraçados pelo texto constitucional brasileiro, sacramentado pelos poderes como legitimamente constitucionais, portanto seria de bom alvitre que quem quer que seja ao se pronunciar referente a legalidade do processo impeachment que o faça com responsabilidade, conhecimento, disciplina e principalmente respeitabilidade, evitando  tecer comentários em matéria que desconhece.

Reconheço que nessa contenda não existe vencido nem vencedor, apenas vergonha imposta ao Brasil perante o mundo, gerando descredito ao povo brasileiro.



Tags: , ,
Este texto foi publicado em terça-feira, abril 19th, 2016 às 8:50 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

Deixe um comentário

Seu comentário