Palco de ilusões

Quarta-feira(18) me deparei com uma entrevista em uma emissora de rádio, a pauta versava sobre sinais sonoros e outras demandas necessárias ao auxílio a locomoção da pessoa com algum tipo de deficiência.

O tema me chamou atenção e rapidamente no decorrer da conversa percebi tratar de dois curiosos, ignorantes e desprovidos do mínimo conhecimento para dissertarem em publico temática de imensa relevância a educação, informação, conscientização e politização da sociedade para que possa auxiliar alguém com dificuldade de locomoção ou mobilidade reduzida, deixando patenteado que o tipo de proposição esplanada, deseduca e confunde a sociedade no quesito politica de acessibilidade de garantias de direitos a 850 mil indivíduos existentes no estado do Piauí (dados oficiais do IBGE Censo 2010).

Lembro-me que mencionaram a maravilha que é a sinalização sonora em todas as vias de rotatividade de veículos em Teresina, estando algumas em fase de instalação com cronometro indicando o tempo para transpor a via em contagem decrescente, evitando que o pedestre seja surpreendido com o fechamento do sinal aos primeiros passos, quando as consequências poderão culminar com irreversível tragédia de atropelamento em virtude dos motoristas desta província, mau educados aos extremos, assegurados pela certeza da impunidade desrespeitem de forma brutal a legislação de trânsito. As ocorrências diárias dão credibilidade as minhas convicções.

O cômico da trágica manifestação da dupla, atingiu seu ponto máximo, quando o palestrante orientou como ajudar uma pessoa com deficiência visual. Primeiro: Jamais avise a existência de buraco ou outros obstáculos existentes na frente de uma pessoa cega, pois ela não sabe onde está o perigo, o correto é pedir que a pessoa pare e você puxe o deficiente pela mão e o leve para um lugar a salvo. Segundo: Para atravessar a faixa de pedestre pegue no braço da pessoa com deficiência e faça sua boa ação do dia, em caso que o deficiente se aventure sozinho deve levantar o braço para obrigar o motorista a parar.

Ao ouvir estas aberrações fiz ligação telefônica para o stúdio e passei algumas informações a âncora do programa. Como há existência de proibição a instalação de sinais sonoros ao logo da Avenida Frei Serafim, parecer expedito pela Marlúcia Gomes Evaristo de Almeida, promotora de Justiça a frente do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Pessoa com Deficiência MP/PI, essa determinação permanece até a presente data sustentada pelos seus pares do poder judiciário, em vergonhosa e brutal desobediência a Lei Federal 10.098/2000, artigo 9º.

Declinei que os sinais sonoros estabelecidos em Teresina de forma pífia, insignificante e criminosa são verdadeiras roletas russas, pois os motoristas não respeitam a sinalização e o agravante é que não existe punição ou qualquer tipo de penalidade pelo poder publico. Os aparatos para identificar ações nocivas e agressivas deses canalhas são inexistentes.

Segundo o ex-superintendente da Strans Ricardo Freitas, são equipamentos caros não havendo motivo plausível para monitoramento, pois não tinha conhecimento de uma pessoa com deficiência atropelada e morta nesses sinais. A título de informação ano passado um deficiente físico ao transpor a Avenida Frei Serafim, na faixa de pedestre na altura do hipermercado Bom preço, foi atropelado por um ônibus, tendo suas pernas esfaceladas indo a óbito imediatamente no local.

Há 10 anos um deficiente físico apelidado por sapatilha, foi atropelado e morto na faixa de pedestre em frente ao Teresina shopping, semáforo da cor vermelha o sinal sonoro acionado um bandido que conduzia uma potente caminhoneta desviou das traseiras dos carros parados e matou o rapaz no final da travessia.

Crimes hediondos terríveis que foram para as estatísticas como insolúveis, contemplados pela impunidade. Fiz breve relato referente aos 25 segundos dos tempos desses sinais, após acionado o sinal perde-se preciosos segundos para certificar que os motoristas pararam, muitos deles invadem a sinalização com o pedestre na metade da via, ato proibido, o veículo só pode se movimentar quando o pedestre transpôs toda a via.

A apresentadora muito educada me agradeceu e disse que retornaria ao microfone, pois estava finalizando a grade de comerciais, fiquei a ouvir o final da tal entrevista, no encerramento da mesma a apresentadora mandou um abraço para mim e agradeceu pela minha audiência.

Como sou muito burro e ignorante, fiz uma série de questionamentos comigo mesmo e encerrei com a pergunta que não quer calar. O que estaria por trás da postura indecorosa da jovem radialista? Possivelmente a existência de um script rigoroso a ser cumprido, sabe-se lá talvez a tradicional ludibriação e enganação a opinião pública, sendo última opção o desconhecimento da jovem a respeito do tema ou a preferência pela omissão com objetivos escusos de agradar seus chefetes, chefes e encarregados de coagir, humilhar e censurar a liberdade de manifestação expressão e pensamento da profissional.

Deixo uma recomendação: Se não sabes nadar jamais se lance ao mar.

Carlos Amorim DRT 2081



Este texto foi publicado em quinta-feira, outubro 19th, 2017 às 10:25 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

Deixe um comentário

Seu comentário