Não quero morrer sem ver tudo

tjSegunda-feira (18) estive no Juizado Especial Centro, localizado a Rua Des. Pires de Castro nº 470. Ao solicitar extrato de um processo fui informado por uma servidora haver indisponibilidade, em virtude do sistema estar fora do ar desde sexta-feira (15), acho que esse desastre tenha sido em homenagem ao aniversário da proclamação da República do Brasil, presente de grego oferecido ao país pelo poder judiciário do Piauí.

Atônito, indignado e envergonhado liguei para uma emissora de rádio com programação em rede nacional, levei ao conhecimento dos brasileiros o triste e gravíssimo problema que ocorre no Piauí com sua justiça descompromissada, falida e prejudicial à sociedade, empurrando com a barriga terrível crise, cumulado com generalizada falência de suas estruturas.

É inadmissível que uma instituição que deveria ter atribuição de proteção e amparo a sociedade, zelando pela lei, respeitando-a, disciplinando e organizando o estado em conformidade com regras, normas e preceitos legais da boa convivência para harmonia entre as pessoas, lamentavelmente essa ideologia existe apenas como utopia de ridículos sonhadores.

Imaginei quantos prejuízos causaram esse sistema virtual inoperante, deixando o estado do Piauí desamparado do socorro da justiça. Refleti sobre o plantão judiciário que foi realizado no final de semana, totalmente inviabilizado. Quantos prisioneiros permaneceram retidos indevidamente em cárceres pela ausência da justiça para garantir o disposto na Carta Magna de amplo direito de defesa e do contraditório aos acusados de algum delito cometido?

Quantos advogados deixaram de receber seus honorários em virtude do ambiente de trabalho lhes ter sido negado? Quantas ações deixaram de serem ajuizadas em decorrência da paralisação da informática do TJ? Astronômicos prejuízos financeiros foram causados aos cofres do estado do Piauí ao manter milhares de servidores desse poder de braços cruzados, pois a picareta que deveria quebrar a rocha da injustiça perdeu seu principal acessório operacional que é o cabo de madeira aroeira baiano ou o pau-ferro do Ceará.

Quantos processos deixaram de serem julgados? Quantas fianças deixaram de serem recolhidas aos cofres do estado? Se analisarmos os fatos com isenção perceberemos que o gravíssimo problema ocorrido é facilmente identificável, alguma coisa está fora de ordem ou quase tudo errado no poder judiciário do Piauí.

O que mais me incomoda é a falta de respeito dos veículos de comunicação desse estado, não houve sequer uma vírgula sobre esse escabroso episódio. Será que são medrosos e covardes ou irresponsáveis para com a informação autentica e real a ser levada ao conhecimento da opinião pública?

Liguei para uma fonte que declarou que esse transtorno tem como causa, troca de equipamentos, manutenção e nova programação a ser usada por toda rede interligada entre si. Para mim não justifica em absoluto esse pretexto, o que deveria ter sido feito era a reforma realizada por etapas, evitando a generalizada paralisia de todo sistema de informática do poder judiciário do Piauí. Acredito tratar-se de falta de gestão e competência administrativa para conduzir essa máquina tão complexa e problemática que movimenta milhares de interesses diariamente.

Quando o Brasil for um país sério que respeite seus cidadãos e cidadãs,  episódio dessa natureza derrubaria os artífices dessa maledicência e os submeteria a fortíssimas penalidades para que a impunidade jamais fosse um premio oferecido aos que propositalmente atrapalham o crescimento, progresso e desenvolvimento do Piauí para satisfazer os seus deleites individuais e receberem fabulosas remunerações sem cumprirem suas atribuições laborais.

Como são membros de um poder que mexe com a vida das pessoas, instituições e entidades, imaginem o imenso buraco que promovem com esse tipo de postura indigna, indecente e desonesta.



Tags: , ,
Este texto foi publicado em terça-feira, novembro 19th, 2013 às 8:37 am na(s) categoria(s) Crítica, Denúncia, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

Deixe um comentário

Seu comentário