Miscelânea de contradições

O trabalho jornalístico que faço é classificado por expert do segmento como de grande repercussão nacional e inédito. Minha performance profissional abrange de forma generalizada todos os campos da informação para conscientizar, educar, politizar e noticiar. Sou ácido em minhas críticas veemente nas reivindicações e ríspido em desfavor de omissões, indisciplina, ignorância e o desrespeito a moral e++ ética.

Ouço muito, como também falo o suficiente em combate a injustiça e desonestidade, principalmente contra pessoas desfavorecidas. Sou obrigado a me manter antenado, atualizado com os fatos que ocorrem no Brasil e no mundo, ouvinte assíduo e contumaz do rádio, consumo notícias praticamente 24h por dia, percebo facilmente maledicências criminosas, obscuras, ocultas e sutis, ocorrências diárias protagonizadas por profissionais da comunicação, ancoras, apresentadores, animadores, jornalistas e radialistas.

Quinta-feira (6) ao ouvir o programa “Mário Rogério Notícias”, veiculado pela rádio difusora de Teresina apresentado pelo mesmo, ao colocar no ar por telefone um ouvinte que se identificou e declinou ser pessoa com deficiência visual, solicitara providencias do prefeito Firmino filho referente a linha do transporte público que serve o seu bairro, argumentou que o operador alterou a rota do trajeto da linha desobedecendo determinações da Strans. A negligencia denunciada causa imensos prejuízos ao cidadão denunciante que desce em um ponto a 1km de sua residência, com o agravante, sofre riscos e transtornos em virtude de sua dificuldade de locomoção e mobilidade reduzida, é permanentemente atacado por cães, fica susceptível as mais variadas ações de vândalos e criminosos.

Após o humilhante depoimento agradeceu e encerrou sua participação, para minha surpresa o comentário referente ao fato promovido pelo apresentador foi de uma estupidez inominável, inaceitável, inconcebível: “É impossível que o ônibus possa parar na frente da casa de cada passageiro”. Percebe-se facilmente que o comentário tendencioso deturpa e desvirtua todo o diapasão da denuncia feita pelo ouvinte, os interesses escusos para proteger a prefeitura poderão ser parte de acordo institucional para que a emissora funcione como escudo, rebatendo qualquer crítica formalizada pelos participantes. O mais grave de todo esse episódio ficou demonstrado o desrespeito à legislação vigente no Brasil pertinente a garantia de direitos as pessoas com algum tipo de deficiência, refiro-me a Lei 13.146/7/2015 absolutamente desconhecida pelo apresentador.

Ao ouvir o programa “Painel da Cidade” apresentado pelo Joel Silva e veiculado pela rádio pioneira de Teresina, um psicólogo, professor e especialista em tanatologia, em sua entrevista falou de vários assuntos e fatores que levam o ser humano cometer suicídio, explicou com minúcias de detalhes acordo celebrado com os comunicadores para omitirem informações referentes a suicídios. Em conformidade com as palavras do entrevistado, essa atitude evita incentivar quem tem o objetivo de dar cabo de sua própria vida. Na minha avaliação mesmo não tendo qualificação profissional adequada contesto esse esdrúxulo acordo.

Não identifico diferenças entre a morte oriunda de suicídio para com os cruéis crimes urbanos: Homicídios, latrocínios, chacinas, estupros, facadas, desossamento e esquartejamento de cadáveres humanos, afogamentos, estrangulamentos, parto em via pública, tragédias no transito, incedios, enchentes, deslizamento de terras, assalto, roubos, furtos, corrupção, rebelião em presidios e outros, são episódios que as redes de televisão, rádios, revistas, jornais e portais dão explícita visibilidade diariamente para todo Brasil. Será que a proliferação do crime tem o incentivo e a motivação da mídia?

Ao ouvir o programa “Revista da Tarde” apresentado pela Marlene Magalhães e Domingos Bezerra veiculado pela Teresina FM, uma ouvinte por telefone disse que a Defensoria Pública do Piauí tem como atribuição fim defender o governo do estado, jamais deveria estar a serviço de bandido mirim, o defensor dessa causa deveria tomar tapa na cara para criar vergonha. O estarrecedor de tamanha imbecilidade prende-se a ignorância brutal da protagonista, que demonstra não ter o mínimo conhecimento da matéria que tentou desenvolver estarrecedor comentário. O lamentável é que não houve a devida correção por parte dos profissionais, informando corretamente ao ouvinte que a Defensoria Pública é órgão de advogados pagos pelo erário público para defender exclusivamente pobres que não tem condições para constituírem uma bancada de advogados para suas causas.

Ao ouvir um programa jornalístico da Rede Bandeirantes de rádio SP, me deparei com a veiculação de uma importante matéria, tratava-se de dezenas de vans adaptadas a transportes de cadeirantes, encontravam-se retidas em depósitos da prefeitura por falta de operadores, combustíveis, manutenção e outros, causando imensos prejuízos a quem necessita do sistema, é o tipo de matéria que me atrai, me interessa e me chama atenção, reconheci imediatamente como pauta de utilidade pública importantíssima, segundos depois foi veiculado um spot, ou seja, uma propaganda da própria emissora com a seguinte mensagem: Estamos contratando portadores de deficiência, faça sua inscrição e venha trabalhar conosco, junte-se ao quadro de profissionais da Bandeirantes. Lamentavelmente o que foi feito com as mãos imediatamente foi desmanchado com os pés, pois matéria desse nível deseduca e desinforma a sociedade enquanto opinião pública.

É importante informar que o Brasil é signatário da convenção da ONU realizado na Espanha, na ocasião houve a participação de quase 200 países, quando foi aprovado as seguintes nomenclaturas: Pessoa com deficiência visual, pessoa com deficiência intelectual, pessoa com deficiência auditiva, pessoa com deficiência física, muletante, cadeirante, síndrome de Down, autista, múltiplas deficiências e deficiências sensoriais. As equivocadas denominações: Portador de deficiência e portador de necessidade especial não mais existe, são procedimentos estúpidos, desrespeitosos e humilhantes.

Uma pessoa com algum tipo de deficiência não é portadora de nada, pois sua deficiência, qualquer que seja jamais poderá ser retirada e colocada em algum lugar, como em uma gaveta, em cima de uma mesa ou sob a responsabilidade de alguém, cito: O policial que porta uma arma, ele a retira do coldre e coloca em algum lugar se desvencilhando da mesma por alguns instantes ou mesmo por um longo tempo. No que se refere a “Portador de necessidade especial”, quem a tem, por exemplo, é uma senhora grávida com oito meses e vinte nove dias de gestação, transitando no cruzamento da Avenida Ipiranga com São João, transito frenético 24h por dia.

Leia e reflita a respeito da matéria, eduque-se, corrija-se e promova de forma voluntária o processo de integração e inclusão das pessoas com algum tipo de deficiência no seio da sociedade sem que seja exigido o padrão normal de beleza e postura física imposta por retrógrados, reacionários, intransigentes e intolerantes frequentemente perambulando na via pública.



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Este texto foi publicado em sexta-feira, agosto 7th, 2015 às 8:16 am na(s) categoria(s) Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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