Miscelânea de conceito e despeito

Foi realizado ontem no auditório da sede da Associação dos Cegos do Estado do Piauí/Acep localizado na Rua Beneditinos nº 537, bairro são Pedro, solenidade de lançamento de dois projetos denominados de “nova visão” e “um olhar para a cidadania” ambos com o objetivo de inclusão e capacitação da pessoa com deficiencia visual nas artes de representar, dançar, cantar e radiodifusão.

O evento contou com a participação de reconhecidas personalidades da nossa sociedade comprometidas com a realização exitosa da proposta. Estive presente atendendo convite de um dos promotores do evento Dr. Rosemiro Robson, diretor da Rádio Pioneira de Teresina. Ouvi atentamente todos os pronunciamentos, mais uma vez certifiquei-me da imensa dificuldade e incapacidade que temos para envolver sociedade e autoridades a perceberem nossa competência para gerir, criar e apresentar projetos de autoria própria da Acep para alcançar a sociedade dita normal aqui do lado de fora, como existe a música no cancioneiro popular que diz “vamos invadir sua praia”.

O projeto que foi lançado com apoio financeiro de sólidas empresas ainda conduz a velha cultura de levar algo ao ceguinho na sua casa, perpetuando nossa dependência a pessoas piedosas de bom coração. A palavra inclusão é facílimo de ser pronunciada, na absoluta maioria das vezes usada por eloquentes oradores que traz em suas entranhas, suas mentes, seus corações e em suas atitudes altíssimo grau de preconceito e discriminação arraigado no seu sangue, usam todo um palavreado minuciosamente pré-estabelecido a envolver a sociedade dita normal, retirar dividendos os mais variados que se possa imaginar de um procedimento levado a opinião pública com características inclusivas a deficientes.

Sou um homem com deficiencia visual com imensas atribuições sociais, políticas, educativas e institucionais, tenho reconhecimento público por parte da sociedade e autoridades, diariamente frequento gabinetes das mais variadas autoridades desse estado, sou respeitado através do trabalho que desenvolvo no dia a dia, mesmo assim enfrento cotidianamente barreiras de todos os tipos quase que intransponíveis, tudo é muito difícil para quem se propõe a desenvolver um trabalho digno, íntegro, imparcial, isento, responsável e independente.

Sofro avaliação e julgamento da sociedade, simples e tão somente ao fato de ser cego da visão, meu potencial de criação, realização, execução, inteligência, independência e competência são relegados a décimo plano configurando-se nitidamente o processo preconceituoso discriminatório e excludente. Tenho milhares de conhecidos pertencentes a todas as classes sociais, mas amigos verdadeiramente, etimologicamente falando eles não chegam a ocupar todo o espaço do interior de uma comb, adoro que seja assim, pois tenho convicção pela preferência a qualidade desprezando a quantidade.

Estou fazendo este breve relato apenas para uma observação “a esmola quando é grande o cego desconfia”. Com base em informações do presidente da Acep, de janeiro a esta data nenhum convenio foi aprovado pelo governo, estão em situação delicada nesse aspecto. No que se refere a inclusão proposta no seio da sociedade como pessoas qualificadas, vamos de vento em popa, se o próprio cego resolver abominar a retrógrada cultural cuia na mão.

Quero repudiar com veemência o crime de injúria cometido pelo senhor Mário Rogério Soares, detentor da concessão pública Rádio Difusora AM, ao apresentar o programa que leva o seu nome em 10 de agosto do corrente ano efetuou comentários pejorativos referente a solenidade de lançamento dos projetos acima citados, quando chamou atenção do presidente da Acep que os cegos capacitados e profissionalizados não fossem usar os conhecimentos adquiridos para prejudicar e achacar as pessoas. Na minha avaliação são declarações criminosas, irresponsáveis de alto teor discriminatório, preconceituoso e excludente. Essa postura humilhante, ridícula e vergonhosa deseduca a sociedade, prejudica drasticamente o desenvolvimento e integração da pessoa com deficiencia, deverá ser responsabilizado cível e criminalmente pala autoria dessa estúpida atitude veiculada em um programa de rádio.

Tenho insistentemente denunciado as autoridades atos desabonadores de potencial ofensivo a 501 mil pessoas existente no Piauí com algum tipo de deficiencia, dados estatísticos oficiais do IBGE.

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Este texto foi publicado em sexta-feira, agosto 12th, 2011 às 1:12 am na(s) categoria(s) Crítica. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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