Melhor alimentar burro a pão de ló

Nessa sexta-feira (27) ao mudar de canal do televisor me deparei com um artista apresentando exóticas criatividades no programa “Cena aberta” apresentado por uma senhora, veiculado pela TV Assembleia. O artesão é detentor de invejável inteligência demonstrando tal privilegio através das peças exibidas, todas fabricadas com materiais descartados.

Ao concluir o programa a apresentadora convidou o telespectador a conhecer o trabalho do autor, seria exibido em certo local e encontrado facilmente no facebook, instagram e demais redes sociais, tambem pelo telefone na tela do televisor. Percebi tratar-se de uma ignorante, descompromissada e descuidada que de forma depreciativa descrimina e exclui a informação a 350 mil pessoas exclusivamente com deficiência visual existente no Piauí.

Como o programa tem alcance nacional, o desserviço é mais acentuado, dados estatísticos do IBGE censo 2010 assegura a existência de 6,5 milhões exclusivamente de pessoas com deficiência visual no Brasil. O que me deixa perplexo com esse tipo de comportamento irresponsável é que por trás da estroinice da apresentadora, tem uma produção, vários chefes hierarquicamente superiores a mesma, como tambem a diretora, geram indecorosos atos, permite imaginar que tais posturas possa ser proposital com o objetivo de depreciar a pessoa com deficiência visual, incentivar e fortalecer a cultura do coitadinho do ceguinho com a cuia na mão.

Me debruço a um lenitivo plausível, a quem devo recorrer denunciando danosos fatos que tendem a impune brutal desobediência a legislação? O Brasil é signatário da convenção da ONU, realizado em Salamanca na Espanha, sendo os ditames desse ordenamento ratificado na Carta Magna brasileira, ancorando a LBI nº 13.146/7-2015-Estatuto da Pessoa com Deficiência do Brasil. Está explícito a necessidade de penalidades e punições severas aos imbecilizados recalcitrantes pela prática do ato meramente preconceituoso.

Certa ocasião ouvi em uma televisão, comercial de uma marca de carro importado, no final do texto foi mencionado que os “portadores de deficiências e os portadores de necessidades especiais” poderiam adaptar os veículos às suas necessidades, uma promoção da fábrica, para mais informações o telefone estava no rodapé do televisor. Imediatamente fiz contato com a direção da TV, pedi o telefone da concessionária, o diretor ao tomar conhecimento de minha inquietação me pediu desculpas, explicando que o VT foi produzido pela produtora da fábrica.

Efetuei ligação para a concessionaria, sendo transferido por 8 vezes para vários departamentos, finalmente consegui falar com assessoria de comunicação, a voz aparentava ser de uma jovem que se identificou como jornalista, muito solícita me ouviu pacientemente, a sua manifestação foi algo semelhante ao peido de uma jumenta com diarreia há 40 dias, iniciou sua conversa perguntando se eu sou pessoa com deficiência visual ou se ela havia ouvido errado no início do diálogo. Enfatizei positivamente, retrucou com o seguinte relincho: Seu Carlos, lamento muito, mas pela sua condição física o senhor não pode dirigir, não entendo o motivo da reclamação referente ao número do telefone.

Já prestes a explodir perguntei se ela havia sido treinada para desempenhar sua função, declarou estar na empresa há mais de 2 anos e que foi submetida a vários testes rigorosos. Ao finalizar a conversa com aquela pobre boçal, disse que a nomenclatura “portador de deficiência e portador de necessidades especiais” não existe mais em virtude do império da lei, seria importante que pedisse ao proprietário da empresa que refizesse o spot para que fosse inclusivo, desprezando a agressividade da errônea nomenclatura usada. A moça se for loira confirmou o adágio popular, declinando que tudo isso e muita bobagem e que essas coisas são todas iguais.

Infelizmente temos que ouvir tais despautérios sem ter para quem apelar, somos impotentes para reagir a essas boçalidades, temos como apoiadores contumazes desses canalhas, poderes, autarquias e entidades omissas, irresponsáveis e coniventes, se por um acaso for ajuizado ações cíveis e criminais os juízes indubitavelmente decidirão arguindo a palavrinha mágica “improcedência”.

No caso do Ministério Publico, o Centro de Apoio Operacional de Defesa da Pessoa com Deficiência, através das suas magnânimas promotoras Marlúcia Gomes Evaristo de Almeida e Janaína, darão pareceres pela inconstitucionalidade a acusação. Com essas ações tupiniquins caminharemos a passos largos à banca rota de forma impiedosa e cretina.

Carlos Amorim DRT 2081/PI



Este texto foi publicado em sábado, outubro 28th, 2017 às 9:26 am na(s) categoria(s) Crítica, Denúncia, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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