Marcha soldado cabeça de papel

Há 50 anos a Polícia Militar do estado do Piauí tinha média de 4 mil policiais, em 2019 a cúpula dessa corporação em entrevista aos veículos de comunicação enumera o contingente de forma acanhada com ínfimos 6 mil policiais para garantir segurança a 224 municípios piauienses, sendo que nos dias atuais a violência é exacerbada e incontrolável, absolutamente diferente dos anos 60.

O índice populacional era infinitamente inferior aos garantidos por institutos demográficos, declinam na atualidade com 3.200 milhões de habitantes, para minha surpresa o governador do Piauí Wellington Dias, popularmente conhecido como vaselina de elefante enviou 20 policiais militares e agentes penitenciários para auxiliar o combate ao rebuliço desencadeado por bandidos em Fortaleza/CE, o ministro Sérgio Moro destacou 300 policiais e o governo da Bahia 100 policiais para sufocar atos de banditismo na capital cearense.

A pergunta que não quer calar prende-se ao fato de expressiva anedota que expõe o Piauí a críticas, deboches e humilhações, em virtude que esse estado não tem condições de garantir a própria segurança com o aparato existente fazendo das tripas coração para manter as aparências, tendo a capacidade de subtrair do ínfimo contingente disponível 20 membros para fazer média no Ceará. Na madrugada de hoje 18 presidiários fugiram na cidade de Picos. É importante informar que a secretaria de segurança divulgou queda na violência do estado retroativo a 2014 em comparação a 613 homicídios no ano de 2018, esses dados demonstram a evolução do conto do vigário cumulado com estória pra boi dormir.

Lembro-me perfeitamente em um evento promovido pelo governo Wellington Dias, realizado no auditório Gran Hotel Arrey, quando 9 governadores do nordeste se fizeram presentes, o governador do Ceará em sua manifestação asseverou que naquele ano havia contratado 4 mil policiais militares e 2 mil civis, deixando o governador do Piauí com a cara limpa sem ter reação para nada, pois havia realizado concurso para 400 soldados. Por mais que eu tenha boa vontade de reconhecer o ato do Wellington Dias como solidariedade, não consigo compreender a ação como positivo.

A violência no estado e na capital rola solta, desenfreada, incontrolável e absoluta, programa da linha jornalística policial rádio e televisão estarrece a todos com o gigantesco volume de homicídios, assaltos, furtos, roubos, agressões, estupros e tudo mais que se possa imaginar de práticas criminosas, as pessoas percorrem centenas de quilômetros e não conseguem se deparar com um único policial. A população dessa província está a mercê da bandidagem enquanto o governador mente de forma descarada nas propagandas veiculadas contratadas pela mídia institucional.

No quesito feminicídio o Piauí caminha a passos largos para ser o campeão nacional do extermínio da fonte geradora de vida que é a mulher. O governador deve sofrer da patologia de amnésia, um policial militar segurança do seu filho, em serviço foi abatido a tiros por um vagabundo mirim, embora o jovem estivesse próximo ao evento que poderia também ter sido vítima não foi suficiente para que o governador priorizasse a segurança como meta principal do seu governo.

Lamentavelmente segundo suas próprias palavras, tomou medida de muita coragem ao convocar inativos da reserva remunerada da PM para retomarem seus postos na lida diária do policiamento ostensivo, são atos horrorosos que desmoralizam, defenestram e sepultam as últimas esperanças do povo desse estado, é impossível descobrir um único ato que mereça elogio protagonizado pelo ladrão da consciência do povo Wellington Dias.

Verifico em minha bola de cristal que o povo faminto, analfabeto, excluído e abandonado exerce pessimamente seu direito cívico de votar com liberdade, responsabilidade e honestidade.

Carlos Amorim DRT 2081



Este texto foi publicado em quarta-feira, janeiro 9th, 2019 às 9:20 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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