Macho e fêmea iguais em atitudes

tjSegunda-feira (21) estive no Tribunal de justiça, após resolver algumas pendências em um setor do 2º andar tomei o elevador, chegando ao térreo segui em sentido a recepção na parte externa, ao me aproximar do portão de entrada e saída de veículos alguém me orientou para que eu saísse pelo citado espaço, atendi e fui tateando com minha bengala encostado a grade do lado esquerdo.

Para minha surpresa ao chegar à calçada dois carros seguiam na mesma direção atrás de mim, o primeiro veículo era conduzido pela presidente do TJ/PI o segundo pelo desembargador Alencar, para que eu não fosse atropelado fui obrigado a me comprimir no gradeado do portão, fiquei surpreso e perplexo, aquelas duas autoridades por incrível que pareça desconhecem a garantia a prioridade que é assegurada por legislação federal a pessoa com deficiência em todo território nacional. O desrespeito foi brutal, horripilante, terrível e ultrajante caracterizando a estúpida realidade protagonizada por membros do poder judiciário do Piauí.

É lógico que o episódio ocorrido comigo não foi por acaso, é uma forma de exclusão, preconceito, discriminação e desrespeito, tendo como auge a ser contemplado  vaidade, orgulho, intransigência, prepotência, truculência, arrogância e individualismo ao ignorarem  minha presença na via pública em eminente risco de vida, enquanto essas autoridade no confortável interior dos seus carrões não tiveram o devido respeito para reconhecerem que tenho absoluto direito a preferência na via.

A obrigação de ambos seria pararem seus veículos para que eu seguisse meu trajeto em segurança, é lamentável e preocupante o comportamento dessa gente que por serem autoridades imaginam que estão acima do bem e do mal podendo cometer todo tipo de arbítrio e absurdo acreditando na impunidade de seus nocivos atos. O inaceitável dessa macabra história contradizem suas atuações profissionais, como julgadores que são, deveriam ter o mínimo conhecimento possível do disposto na legislação da acessibilidade  vigente no Brasil pertinente a 46 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência(dados do IBGE senso 2010).

A presidenta Dilma Rousseff, demonstrando sensibilidade, responsabilidade, compromisso e atenção especial ao contingente brasileiro de pessoa com deficiência, desenvolveu o projeto “Viver sem limite” que tem atribuição de desenvolver essa proposta em todos os seguimentos da sociedade, para que haja informação, conscientização, educação e respeito aos direitos dessa fatia da sociedade com deficiência. Em solenidade realizada dia 27 de setembro o governador Wilson Martins, aderiu o programa federal garantindo que cumpriria sem restrição todos os ditames do programa.

Nos lugares em que me manifesto, massifico que as barreiras arquitetônicas existente são facilmente removíveis, sendo a barreira mais severa existente é aquela incrustada na mente, no coração e no sangue das pessoas ricas e pobres lordes e plebeus, analfabetos e magistrados.

Na Grécia antiga de longínquos idos da idade média havia o processo denominado de tirania, as crianças ao nascerem eram minuciosamente avaliadas, as que tinham  o infortúnio de má formação por não servirem para serem  guerreiros eram descartadas de forma vil e sumária, mortas por decapitação ou lançadas em despenhadeiro, infelizmente em pleno século XXI fatos humilhantes  e criminosos continuam acontecendo em plena via pública, sendo seus algozes pessoas civilizadas, graduadas  e bem sucedidas que não necessitam de espartanos para lhes proteger.

A Carta Magna garante que todo brasileiro e brasileira são iguais perante a lei, infelizmente resguardados as devidas proporções a privilegiados imortais existentes nessa sociedade.

Deixei para o final a interrogação que muitos leitores já fizeram: Se este denunciante é cego, como conseguiu identificar essas pessoas? Um advogado que observava o fato do outro lado da rua, na calçada do Fórum Cível e Criminal me abordou tão indignado quanto fiquei após conhecer o relato dos fatos, tenho nome endereço e telefone do mesmo, mas não posso expor minha fonte, pois este poderá doravante perder sua condição de sobrevivência como operador do direito.

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