Lembranças de Arari

Hoje ao ouvir concerto para piano em si bemol menor de Tchaikovsky, música característica da voz de Arari, senti uma saudade muito grande de tudo que vivi naquela cidade junto ao seu povo. Passados 45 anos lembrei-me sem muito esforço de tudo e de todos, da acolhedora cidade de Arari.

Em março de 1965 em uma tarde ensolarada cheguei a essa cidade para ficar um longo tempo como interno do renomado “Colégio Arariense” do padre Clodomir Brandt e Silva de saudosa memória, fundador e diretor daquele complexo de ensino. O meu primeiro contato naquela cidade foi com a jovem Célia apresentado que fui por um colega também interno de nome José Maria. Ela estava acompanhada de sua irmã pré-adolescente, naquele momento ficamos amigos, tomei conhecimento que ela era filha de um próspero comerciante de nome Biné Abas, irmã de Bebeto e Cabeto, e outra jovem gordinha sua irmã que não recordo o seu nome.

De minha sala de aula lembro-me de alguns nomes como: Mariilda, José Reinaldo Coelho Santos, Santana, Filho, Borboléu, Adrião, Nonato, Nonatinho, José Carlos ou Antonio Carlos, Niltinho, Vieira, Elias, Manoel Pereira, Manoel das Graças, Creuzinha, Nilma Maciel, Zuza, Manga Rosa, havia um casal de colegas não lembro seus nomes, lembro que residiam em uma casa de esquina entre a casa do padre e a casa da Mariilda (acho que neste local funcionava uma padaria), Ciprianinho, Vítor e Pedro Paulo.

Lembro-me de alguns professores como José Ericeira, Rita Ericeira, Maria das Graças Ericeira, Professor Éden, Dr. João Lima, professor Jomar, professora Figueiredo, professor Tunico Santos, professora Rosilda, professora Socoro Coelho Santos, professora Socorro (filha de um motorista proprietário de uma caçamba, cujo carro foi apelidado de caçarola), professora Maria de Ribamar, professora Dinacy Correia, a secretária geral dona Concita, as inspetoras; uma de compleição física avantajada não lembro o nome, dona Clara, havia também uma moreninha aparentando uma pessoa sofrida e humilde, mas muito compreensiva gente finíssima. Irmã Madalena, duas outras freiras italianas que não lembro seus nomes. Lembro também da zeladora uma senhora idosa e gorda que uma vez reclamou ao padre que em uma determinada carteira havia muito cuspe e borracha de chiclete grudado no chão (este era o local onde eu ficava), fui então chamado atenção e punido com alguns minutos ajoelhado.

Tornei-me muito conhecido na cidade, fiz muitas amizades; cito dona Ozita e Paulo Ferrolho, seu Dico do cartório, João Ericeira e Chichico, Tote, Raimundo Ewerton e João seu irmão, Abdomaci Coelho Santos, Virginha Coelho Santos, Lucinha Coelho Santos, José de Ribamar Coelho Santos (Zeca Baleiro), tive o privilégio de ver sua mãe grávida desse ídolo da música popular brasileira. Biné Abas, Manoel Abas, Marly Cutrim, Nerli Cutrim, Lilica, Mimica, Orlica, Teresa Borgéa a irmã da professora Maria de Ribamar e o marido dessa professora que não lembro seu nome, a namorada do Batista Ribeiro e sua irmã que também não lembro seus nomes, seu Balbino e dona Socorro Maciel, Graça irmã da Mariilda. Teresinha que morava em uma esquina antes da rua da beira, muito bonita e que tinha um leve estrabismo no olho direito e sua irmã uma pré adolescente gordinha que namorava com um interno de nome pequeno polegar, Teresa Garcia, Concita Garcia, Fátima Garcia minha namorada e mais duas de suas irmãs que não lembro seus nomes, Angélica e sua irmã que não lembro o nome, Rui pai (telegrafista), Rui Filho, Gracinha sua irmã e outra que não lembro o nome, Rosinha que morava na Trizidela, o irmão da professora Figueiredo, Domingos Cascavel,Digé e outros membros dessa família que não me lembro, tenho certeza de que eram muitos. Eva namorada do Coelho (interno), Seu Zezinho eletricista que morava no prédio do posto de saúde com sua esposa e uma moça que se casou com Digé, seu Siríaco que trabalhava como arrumador, sua esposa e sua filha muito bonita que não lembro seus nomes.

Atrás do internato onde funcionava o refeitório havia uma confecção pertencente à igreja a ao lado uma residência onde moravam duas moças uma gorda e outra magra, me dava muito bem com elas não lembro seus nomes, Walbesson e seu irmão que não lembro o nome, o descendente de Árabe que tinha uma loja na esquina dos correios e telégrafos, o fotógrafo que residia em uma rua paralela à rua da beira, Cipriano da capitania, Sílvia e Jesus da capitania, uma senhora que lavava e engomava minhas roupas ela morava em companhia de sua filha estudante do colégio Arariense, essa residência ficava a 200m da casa do professor Éden sentido rua da beira, um casal de estudantes, o rapaz era operador de projeção de cinema do teatro paroquial, lembro-me apenas que residiam em uma casa situada no meio do quarteirão antes da residência da Marli Cutrim.

Havia um comércio nas proximidades do mercado, lá existia uma jovem bonita muito minha amiga que não lembro seu nome, Leuna e seus irmãos e irmãs e seu Estrela, o juiz Dr. Murilo, a promotora Drª Celeste seu marido e sua filha que não lembro seus nomes, sargento Morais, dona Eva proprietária da pensão seu marido e sua filha gordinha não lembro seus nomes, Coco e o “Colega” seu irmão, Luis Boizinho, uma moça que trabalhava na livraria do padre, gente muito boa, quando o padre viajava, eu ia para lá bater papo com ela, o deficiente físico Dantas, seu Anselmo, Vera, filha de um capitão da capitania dos portos, Raimundo de Maro “Prefeito”, dona Mercedes cozinheira do internato e mais duas cozinheiras uma nova e uma de meia idade que não me lembro seus nomes, Anastácio, uma senhora e um rapaz que trabalhavam na tipografia, seu Dico um serviçal, seu Anselmo amigo do padre, seu Piancó da caminhonete C10 enfim muitos outros.

Do internato lembro-me de alguns colegas como José de Ribamar Borges (gato Macho), Francisco Abreu (o imoral), Coelho (chaparral), João Ribeiro (boca de tíbia), Zezinho e pequeno polegar (filhos de seu Quincas), Sebastião Linhares Diniz (baé), Pindoval (o doido), Raimundo Girafa, os dois irmãos José Maria (Josep) e Francisco Ponte, Jorge e Henrique (filhos da prefeita), Cleones de Carvalho Cunha (Cléo), Luis, de Bom Jardim (Pé de Anjo), José Reinaldo Machado (Avestruz), Teodomiro Leão (Leãozinho, Djair Correia Lima (o Deja), Reginaldo (Piupiri), Baiano (Baianinho), Neguinho de Cassiano (o Timba), Venezuela (o internacional), Sílvio Brant (tio padre), Dantas (Fufuca), Ozair Pereira Costa (barbeirinho), José Raimundo Aires (Cajari), Batistinha, Rane e Lafe (Das Arábias) e Jusselino.

Peço desculpas por não fazer constar desta relação possíveis nomes de algumas pessoas do meu relacionamento, de amizades que fiz durante longos anos na cidade de Arari; fico feliz porque o tempo não conseguiu apagar da minha mente todas essas pessoas maravilhosas.

Passaram-se apenas 45 anos, mas recordo-me como se tivesse vivendo agora todo aquele tempo. Quero citar dois casos: o primeiro referente a então jovem adolescente Virgínia, uma revolucionária,independente e avançada para aqueles tempos de muita repressão quebrando tabus e um falso moralismo.

Certa vez ela me deu uma carona na garupa de sua bicicleta, atravessamos a ponte de madeira do igarapé, passamos na frente da igreja, eu imaginei que ela me deixaria ali, mas ela fez questão de me deixar na frente do internato à rua João Inácio Garcia nº 40. Passei a admirá-la a partir daquele momento pela sua coragem de não temer ao padre, foi a única que tenho conhecimento de tê-lo enfrentado, as demais moças da cidade todas morriam de medo daquele educador rígido e severo. Logo espalhei no internato que eu estava namorando com a Virgínia para causar inveja aos meus colegas, pois ela era desejada por todos.

A segunda questão, é que o Conselho Nacional de Justiça nos dias atuais instituiu as penas alternativas. Um rapaz morador da vizinha cidade de Miranda do Norte de nome Gentil assassinou uma pessoa, foi preso na cidade de Arari, o padre Clodomir através de entendimento com o juiz de direito o colocou para cumprir pena prestando serviço no internato. Ele era aquele tipo, polivalente muito prestativo. Moral da história é que aquele padre de saudosa memória estava a anos luz do seu tempo, quando estabeleceu o cumprimento de pena alternativa.

Quero concluir registrando a minha saudade das aulas de oratória onde todo corpo discente e docente do colégio reuniam-se às quartas-feiras a tarde na paróquia para se pronunciarem sobre qualquer assunto. No final o padre tecia um breve comentário e enfatizava; – Estou preparando vocês para assumirem o comando do Brasil amanhã.

Tenho viva em minha lembrança os momentos que fiz abertura da voz de Arari com os seguintes dizeres: – Esta é A voz de Arari que nesse instante vai para o ar apresentando sua programação com músicas variadas, boa noite a todos.

Na noite de sexta-feira dia 4 de junho do corrente ano o cantor Zeca Baleiro em uma apresentação em praça pública no 7º festival de inverno na cidade de Pedro II – PI, levou milhares de pessoas ao êxtase com a magnífica interpretação de seus grandes sucessos; nem mesmo a forte chuva que caiu impediu sua apresentação quando todos ali presentes deliciaram-se com a disposição do cantor em se apresentar mesmo com as diversidades do tempo.

2 comentários em “Lembranças de Arari”

  1. Antonio Carlos (Filho)

    Caro Amigo,

    Muito interessante essas lembranças que fizerem aguçar as minhas, acontecimentos que felizmente coincidem com os melhores tempos da minha adolescência, período em que vivi na minha saudosa Terra.

    Em relação à pessoa de Gentil que cometeu um assassinato, ele passou um longo período trabalhando para o padre Brandt e só depois foi julgado e absolvido. o Julgamento se deu no Jardim de Infância do Colégio Arariense.
    Um abraço!

  2. Nerly Cutrim

    Grande Amorim, que maravilha essas lembranças maravilhosas que acordam uma saudade gostosa da minha terrinha querida. Valeu Amorim!

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