Jornalismo de resultado mentiroso

Em 5 de outubro de 1988 foi promulgada a Constituição Federal do Brasil, reconhecida como documento de garantia cidadã, em seu bojo legal garante cláusulas pétreas inarredáveis, não é permitido em hipótese alguma pena de morte, prisão perpétua, como também o mínimo desrespeito aos direitos humanos, essas garantias são aviltadas, desmoralizadas e avacalhadas diariamente por membros criminosos adjetivados de jornalistas, é a tal imprensa mal fadada, geradora e fomentadora de injustiças e violência generalizada.

Ouvi de forma estupefato, estarrecido e perplexo um delegado em uma entrevista, destilando ódio e expressões só aceitas durante os 21 anos de exceção que vitimou o Brasil, o falastrão asseverava a um repórter sensacionalista, medíocre e irresponsável que tinha imenso prazer e felicidade em detonar os viciados da cracolândia no centro de São Paulo, o escárnio garantiu que foi muita porrada, chicotada, pancada a vontade nos viciados e traficantes, sua vontade seria colocá-los todos indistintamente na cadeia, lamentavelmente os defensores dos “manos” melava o trabalho da polícia, embora o governador do estado tenha autorizado que vagabundo ao levantar uma arma para o enfrentamento teria que tombar morto com tiro na cabeça, não hesitaria em cumprir sua obrigação de defender a sociedade matando bandidos aleatoriamente, marginais e criminosos. Justificou seu relincho acusando a justiça que tem a função de atrapalhar o trabalho da polícia com as tais audiências de custódia.

Essas declarações imbecilizadas são verdadeiro bálsamo para a imprensa brasileira e sociedade ignorante, formada por indivíduos inescrupulosos, sensacionalistas, oportunistas, incompetentes e irresponsáveis que fazem média a opinião pública prestando esse serviço que lesa a pátria e fere de morte o estado democrático brasileiro.

Ouço essas aberrações, “caganeira de jumenta”, absolutamente indignado, pois percebo facilmente que os incentivadores das arbitrariedades e justiças praticadas pelas próprias mãos são criminosos agindo impunemente, sendo grande número formado por analfabetos ou os funcionais da classe patronal mercantilista e venal. Com a palavra o Ministério da Justiça, Ministério das Comunicações, poderes constituídos e sociedade civil organizada, para fiscalizar com rigor esse nefasto processo da degradação da nossa Carta Magna, como também, preservar direitos inalienáveis as liberdades constituídas ao cidadão.

Os justiceiros eletrônicos que se alvoram de 4º poder, devem ser punidos cível e criminalmente pelo incentivo ao dente por dente, olho por olho e a prática nociva do linchamento público como resposta a impunidade garantida ao recalcitrante pelas autoridades que se omitem a penalizar o acusado,(expressões ao bel prazer de interesses próprios).

Outra questão gravíssima, prende-se as atitudes indevidas e ilegais desses cuspidores de microfone que adjetiva o acusado de delito como sendo bandido, ladrão, vagabundo, estuprador, assassino e outros, desconhecem, ignoram e desrespeitam o arcabouço jurídico brasileiro, o cidadão só é culpado após o trânsito e julgado, antes desse procedimento ele poderá ser o mais vil assassino, devendo ser tratado apenas e tão somente por “acusado”. O empresariado brasileiro, como também a mídia institucional das três esferas de governo, devem evitar patrocinar esse tipo de programação, é nociva no mais alto grau e deseduca a sociedade.

Outro procedimento que o Congresso Nacional deve agir com severidade e responsabilidade através de projeto de lei, determinando a todos os veículos de concessões públicas que esses programas policialescos só deveriam ser veiculados em horário noturno, por exemplo de 0 h às 6 da manha, imaginemos alguém em um restaurante ao fazer sua refeição se depara com o televisor veiculando imagens de uma exumação, para suportar tal abuso calado deve ser um abutre em forma de ser humano. As manifestações espetaculosas de entrevistas de acusados e policiais em delegacias devem ser proibidas sumariamente (o objeto dos fatos devem limitarem-se apenas e tão somente ao aspecto jornalístico a opinião pública).

Há 3 dias na província de Teresina o Luciano Coelho. empregado da rádio Teresina FM 91,9, exímio incentivador de abuso aos reclusos e a garantia de direito dos mesmos, debocha publicamente os qualificando de crianças que saíram para eventos festivos do nosso calendário e não retornaram ao presídio, estão trabalhando (o termo laboral usado por esse indivíduo inexpressivo é o cometimento de possível crime) e flagrados na ausência da polícia a população deve fazer justiça com as próprias mãos, ou seja, linchar o bandido até a morte, então o agredido pede pelo amor de Deus para chamar a polícia pra lhe salvar.

Não é necessário que sejamos expert do conhecimento de sociologia e comportamento humano para identificar a maledicência desse indivíduo acobertado com a conivência dos seus patrões e o descompromisso dos órgãos fiscalizadores, traduzindo em miúdos, recorro ao conhecimento de minha tataravó, “o hábito do cachimbo põe a boca torta”, indubitavelmente a impunidade é corresponsável das ações desse cuspidor de microfone. Por incrível que pareça o nome do programa que transmite essas heresias é chocante: “bloco da má notícia”. Um fato que me deixou extremamente chocado foi o ato de sua parceira Simone Castro, declinando ser este o quadro do seu ódio. Insatisfeita com apenas essa boçalidade acrescentou que ambos são burros.

O que é inacreditável é a parcimônia dos que ouvem e participam dessa ignomínia, não há uma única palavra de repúdio a todo esse procedimento imagino, tratar-se da ausência de conhecimento, escolaridade, formação e exercício de cidadania dos súditos desprovidos de qualquer qualificação inerente ao cidadão.

Carlos Amorim DRT 2081/PI

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Jornalista Carlos Amorim
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