Insuportável obra humana

Em 1973 cheguei ao Rio de janeiro, minha primeira moradia foi na ladeira da Glória no bairro do mesmo nome a 2 quarteirões da Rua do Russel nº 434, onde funcionava a poderosíssima Rádio Globo. Lembro-me perfeitamente que ao visitar aquele império me deparei com o Francisco Carioca, um dos monstros sagrados da comunicação da rádio difusão do Brasil.

Ao longo de 26 anos que residi na cidade maravilhosa, sempre estive presente nas várias programações da Rádio Globo, na minha avaliação o Antônio Carlos, Haroldo de Andrade, Adelzon Alves e João Saldanha, foram os maiores detentores de audiência dessa gigantesca emissora. Para minha surpresa ontem me deparei com a triste notícia que a Globo de São Paulo como também a CBN lacraram suas portas para sempre, decretando falência generalizada, não quero jamais imaginar a angustia, tristeza, decepção e derrota que os trabalhadores dessas empresas estão sofrendo, especialmente no quesito de ocupações e novas oportunidades de trabalho em decorrência de todo episódio que o Brasil vive em todos os parâmetros, sendo desnecessário descrevê-los.

Em 2016 participei de um evento em São Paulo e decidi visitar o Sistema Globo de Rádio localizado na Santa Cecília, centro velho da pauliceia, me deparei com uma tragédia quase idêntica a que descrevi anteriormente, dezenas de profissionais se acotovelavam amontoados a porta da rádio manifestando-se contra dezenas de demissões em decorrência do decreto da presidenta Dilma, da obrigatoriedade da migração de AM para FM, tenho certeza que não esquecerei o trauma que sofri com o desespero de pais e mães de famílias colocados no olho da rua sem nenhuma garantia para suas futuras sobrevivências.

Estou me referindo a um gigantesco conglomerado de empresas de comunicação detentora de fabuloso monopólio nacional com reflexo de empresa multinacional, considerada até pouco tempo uma das maiores do mundo, ofertando aos seus privilegiados funcionários salários vultosos e invejáveis, posso classificar essa derrocada como o ocorrido com os jardins suspensos da Babilônia, mais precisamente como sendo o fracasso do Iraque, quando Saddam Hussein foi condenado a morte, enforcado em praça pública, a história antiga de conhecimento mundial foi defenestrada do planeta azul em conformidade com informações de um dos tripulantes da Apolo XI ao conquistar a lua.

É importante que tentemos ao conhecido adágio popular, “quando você vir as barbas do seu vizinho pegar fogo, ponha as suas de molho”. O rádio do Piauí descamba a banca rota de forma exponencial, é nítido e visível a fragilidade das programações, o jornalismo foi substituído por brincadeiras de mau gosto, querelas, fuxico, contos da carochinha e divulgação de promiscuidade alheia como o factoide atual “O Cabaré da Ana” ídolo do funk brasileiro com referência no exterior.

O trabalhador em veículo de comunicação em Teresina vive eternamente em pânico, aterrorizado, ameaçado e constrangido, ao encerrarem as suas atividades diárias registradas em cartão de ponto ou cartão digital, regressam aos seus lares com a sensação de que não retornarão no dia seguinte. A pergunta que não quer calar: Como um profissional submetido a esse tipo de preocupação, consegue produzir seu trabalho com o mínimo possível de qualidade? O agravante de todos esses episódios refere-se ao aviltante, criminoso e humilhante piso salário de R$ 1.350,00 assegurados a essa categoria pelo sindicato dos radialistas do Piauí. Graças a Deus essa corja perdeu a empáfia, ousadia e petulância de continuar causando malefícios irreparáveis para essa classe.

Parabéns ao Congresso Nacional e ao ex-presidente Michel Temer, que em boa hora sancionou a Lei da reforma trabalhista de nº 13.467/2017 desobrigando aos injustiçados trabalhadores a contribuírem mensalmente com R$ 40,00 e diária anual proporcional ao salário que recebem para esses calhordas promoverem bacanais e brincanagem em hotéis 5 estrelas Brasil afora.

Estou convicto que esses exploradores e oportunistas amargarão o olho da rua como prêmio pela devastação que promoveram e desenvolveram ao longo de 40 anos, Lei 6.615/1978.

Carlos Amorim DRT 2081

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