Inferno na frente da torre

Por volta das 11horas da manhã desse domingo (22) ouvi umas explosões em sequência vinda da direção da Avenida Barão de Castelo Branco, os estampidos foram aumentando chamando minha atenção, fui até a porta da rua e me deparei com dezenas de vizinhos em pânico, atravessamos a Rua Álvaro Ferreira e na escadaria da Rua Tote Carvalho foi visualizado chamas em volto com fumaça preta, a essas alturas o fogo atingia o equivalente a um prédio de 20 andares.

Estávamos a 3 quarteirões do sinistro, o povo desesperado gritavam pedindo socorro e corriam para todos os lados como se estivessem desorientados, as explosões cada vez mais forte, semelhante a estouro de botijão de gás ou galão de material inflamável.

O que angustiava a todos era a ausencia do corpo de bombeiros, liguei para o telefone 32 165055 rádio Antares, estava no ar o programa “Sob outro olhar”, falei com o operador Paulinho Fernandes, informando que queria fazer uma utilidade pública referente a um incêndio de proporções gigantescas, percebi sua apreensão interrompendo imediatamente o spot veiculado no momento, em seguida a jornalista Leide Sousa, fez a chamada.

Narrei o fato em conformidade com as informações que eram me passadas, lembro-me que mencionei ser o incêndio em um dos prédios de apartamentos, equívoco gerado em decorrência das chamas se proliferarem entre as duas torres residenciais em virtude do ângulo de visão que tínhamos, as gigantescas explosões pareciam ser oriundas de botijão de gás.

Graças a Deus foi operado verdadeiro milagre, pois não houve perda de vida, ao finalizar a informação a Lady Sousa, tambem muito nervosa conclamou a presença do corpo de bombeiros, socorristas, polícia e ambulância, o fato e que em pouco tempo todas as ruas estavam repletas de viaturas, um aparato imenso de policiais fecharam todas as ruas adjacentes enquanto dois carros do Corpo de Bombeiros descarregavam seus tanques de água e seguiam para reabastecer por não haver hidrantes no local, quando retornavam as chamas e a fumaça estava cada vez mais agressiva.

Além do local ser área residencial existe nas proximidades um posto de gasolina motivo de grande preocupação de todos. As explosões foram ouvidas nitidamente no Monte Castelo, Piçarra, Ilhotas, Residencial Emílio Falcão, Cidade Nova, Vila da Paz, Três Andares e Macaúba.

O rescaldo do incêndio durou toda a tarde, acorreram ao local centenas de curiosos ávidos por informações, a imprensa que não mantêm plantão em suas redações nos finais de semana marcou presença e copiou as imagens realizadas por celulares. Lamentavelmente a prefeitura de Teresina tem imensas responsabilidades com o sinistro acontecimento, quando autorizou através de alvará o funcionamento uma indústria cuja matéria-prima é produto inflamável em altíssimo teor com o agravante de grande estoque acumulado.

Informação extraoficial havia no local, comércio, manipulação de produtos de beleza, como também fabricação dos mesmos incrustados em local meramente residencial. Por ventura as fiscalizações anuais estariam sendo efetuadas? Corpo de Bombeiros, prefeitura, fazenda, receita, INSS, secretaria do trabalho, meio ambiente e outros, acredito que as certidões negativas referentes a legalização de funcionamento desse comércio serão exigidas para efeito de seguro, investigações e outras providências.

É premente e necessário urgentemente a implementação de rigoroso pente fino proibindo o funcionamento de fábricas em logradouros residenciais por vários aspectos que posso enumerar, como: metalúrgicas causadora de transtornos e desconforto aos vizinhos em virtude da imensa poluição sonora como também reduzindo a tenção da corrente elétrica aos demais consumidores, fábrica de box, luminárias e outros, essas atividades deveriam ser estabelecidas no parque industrial lugar adequado para funcionarem.

Em 1986 por volta de 15h me encontrava na lanchonete da Caixa Econômica Federal no 20º andar do prédio, ou seja, a cobertura localizado no Largo da Carioca na Avenida Chile esquina com Avenida Rio Branco centro do Rio de janeiro, de repente uma fumaça oriunda de um prédio localizado na esquina da rua Almirante Barroso chamou atenção de todos que estava no recinto, fomos observar da janela local mais próximo, o pânico tomou conta de todos, quando percebemos a gravidade do episódio.

O edifício Andorinha estava envolto em chamas, muitos helicópteros sobrevoando a cobertura do prédio, as pessoas em estado desesperador tentando se livrar daquele inferno, lembro-me que uma corda foi lançada de um edifício ao que estava em chamas como alternativa para salvar as vítimas da terrível catástrofe, a corda tinha capacidade para no máximo duas pessoas de cada vez só que os demais na ânsia de saírem o mais rápido possível da situação que indubitavelmente ceifaria suas vidas não esperaram a ordem dos bombeiros, seguiram todos pendurados na corda até que esta rompeu devido a sobrecarga e o resultado não e necessário mencionar. Após as esperanças de salvação exauridas as vítimas usaram como última tentativa se lançar em direção a morte, evidentemente já não suportando as chamas em seus corpos.

Na tarde desse domingo revivi todas essas imagens e lembranças que guardo na mente, impossível me livrar das mesmas, as levarei comigo a morada eterna. Pela segunda vez neste 22 de outubro de 2017 vivi as mesmas emoções trágicas e drásticas daquele 17 de fevereiro, inesquecível para o ser humano.

O legado deixado pelo incêndio da distribuidora Ibiapina é muito valoroso para o governo do estado do Piauí perceber que o crescimento vertical do processo imobiliário de Teresina cresce a passos gigantescos, portanto e importante que nossas autoridades tenham o devido respeito e compromisso para com a população, prevenindo e evitando que essa gente fique a mercê de sua própria sorte em momentos cruciais como o acontecido na manhã deste domingo.

É prioridade absoluta assegurar estrutura ao corpo de bombeiros piauiense para que não sofra o mesmo constrangimento publico submetido ao tentar debelar terrível incêndio apenas com a água contida no bico de um beija-flor, como a metáfora nos informa. O material humano deverá ser aumentado para assegurar o manuseio dos equipamentos.

É inadmissível e inaceitável que esses insistentes trabalhadores continuem sendo elogiados pela sociedade apenas por sua boa vontade e dedicação demonstrada ao longo dos tempos. É primordial haver ação e produtividade junto aos atos de bravura.

Carlos Amorim DRT 2081/PI



Este texto foi publicado em segunda-feira, outubro 23rd, 2017 às 8:36 am na(s) categoria(s) Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

1 comentário para “Inferno na frente da torre”

  1. Luiz Henrique Everton

    Luiz Henrique Everton
    outubro 24th, 2017 em 10:07 pm
    Seu comentário está aguardando moderação.
    Prezado Amorim!
    Estamos a um mês do centenário do Padre Clodomir Brandt e Silva. Pois bem, a partir do dia 22.11.17, data dos 100 anos de nascimento do padre, até 26 do mesmo mês, Arari será palco de várias homenagens alusivas ao referido. No próximo dia 22, circulará o Jornal Notícias de Vanguarda, uma edição toda especial por conta dessa passagem e como você é parte dessa história, porquanto vivenciaste um bom período em Arari como aluno do Colégio Arariense, temos o maior interesse que você se manifeste acerca desse momento histórico, sugerindo que faças um relato sobre o saudoso padre para publicarmos no citado Jornal. Informamos que o título do Jornal Notícias de Vanguarda é sugestivo, porque lembra os dois principais jornais de uma época, Notícias da ADC e Vanguarda do GAE. Um grande Abraço, Luiz Henrique Everton

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