Gota d’água para um poder

Vou me reservar o direito de não declinar nomes nem tão pouco identificar personagens desse episódio em respeito a uma profissional digna, honrada e compromissada com seu trabalho e tem acima de tudo atenção àqueles que buscam atendimento na instituição que presta seus relevantes serviços.

Estive ontem (02) em um dos juizados especiais de Teresina, ao adentrar a sala onde funciona o setor de petições informei ao atendente o pleito que desejaria, a resposta veio de forma contundente: o atendimento está encerrado. Acionei o relógio do meu celular, eram exatos 10h 51 minutos. Perguntei qual o horário a ser seguido pelos servidores daquele setor, recebi o calado como resposta, fui até a sala do meritíssimo responsável pelo juizado, esse de maneira corporativista tangenciou no mais alto grau para fugir do tema em discussão, em primeiro plano informou que aqueles rapazes eram acadêmicos de direito cumprindo carga horária como estagiários, isentos de obrigações e compromissos, pois estavam trabalhando de graça, me orientou a buscar  a defensoria pública para peticionar minha demanda, quando este tomou conhecimento que minha renda não permitia ser defendido por um defensor disse-me que constituísse uma advogado.

Ao retrucar todas essas indignidades arguindo disposto de garantias de direito ao cidadão com base no texto constitucional, no meu caso havia um agravante a mais, por ser pessoa com deficiencia visual sou abraçado por vasta legislação que me assegura atendimento prioritário e preferencial. Comentei também sobre a grave ausência de estrutura no posto em que o meritíssimo serve como imediato,  sobre algumas portarias originárias do Conselho Nacional de Justiça e finalizei minhas inquietações prometendo levar ao conhecimento da opinião pública essa brutal estupidez contra o cidadão piauiense, fiz a saudação de praxe e me retirei.

Quando seguia em direção ao corredor uma senhora que testemunhou todo o diálogo me abordou e disse: vou mandar fazer sua petição, abriu a porta do setor e disse ao estagiário atenda esse senhor, por favor, enquanto aguardava do lado de fora ela sentou-se ao meu lado, pediu algumas informações, perguntou onde eu morava e qual o objeto da ação, demonstrei o impresso da matéria anterior a esta denominada de “Unidade Real de Desvalor”, leu atentamente e disse-me: seu Carlos, essa questão é grave, é muito séria, se o senhor tiver disponibilidade e quiser fazer essa peça com um advogado, é melhor, pois será mais bem fundamentada do que feito aqui com os estagiários, pois o advogado irá pesquisar jurisprudências para garantir ao senhor êxito na reparação do seu dano. Achei coerente e sensato a orientação daquela senhora, agradeci a presteza e a gentileza do atendimento. Sem perder tempo fui ao escritório do advogado Antonio de Deus Neto, que já está trabalhando a inicial da lide a ser ajuizada.

Estou narrando estes fatos para que a opinião pública tenha conhecimento do câncer maligno que é a justiça do Piauí, esses juizados teriam uma fundamental importância em socorrer aquele que se sentisse prejudicado, mas por uma série de fatores a sua atuação é pífia, desastrosa, indigna e dispensável. Qualquer leigo ao adentrar uma dessas unidades perceberá a ausência de público, simplesmente por não acreditarem no serviço prestado por essa instituição, eu mesmo ao conversar com a gentil senhora mencionada acima, declarei minha incredulidade, sendo o objetivo das ações ajuizadas apenas para registros de pesquisa.

O índice altíssimo da violência decorre de injustiça praticada pela própria justiça, órgãos e agentes desse poder portam-se como soberanos e absolutos, sendo o corporativismo matéria prima para a derrocada do estado brasileiro. São visíveis as constantes anarquias desenvolvidas livremente na via pública, as pessoas resolvem suas querelas na base da bala e do homicídio, é comum membros do poder judiciário componentes da alta cúpula envolvidos em todo tipo de bandalheiras, como punição recebem invejáveis salários, aposentados proporcionalmente.

Quero deixar bem claro que sou patriota praticante, mas me decepciono e me envergonho com o que presencio no dia a dia protagonizado por esse poder. Em meus momentos de fraqueza imagino desprezar o estado democrático de direito e investir muito forte no dente por dente olho por olho, cada um fazendo a sua própria justiça a seu bel prazer. Se providencias enérgicas não forem tomadas rapidamente, indubitavelmente essa alternativa será a solução.



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Este texto foi publicado em sábado, agosto 3rd, 2013 às 12:42 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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