Gato por lebre

Tomei conhecimento de um evento promovido recentemente pelo SETUT em um hotel de Teresina. Acorreram para lá todos os operadores do transporte coletivo urbano administrado pelo sindicato acima mencionado, ouve pontuais presenças de representantes de outros segmentos da sociedade. Não tive informação da presença de uma significativa parte da sociedade composta por pessoas com deficiência. Dados e pesquisas oficiais do IBGE confirmam que em Teresina existem acima de 107 mil pessoas com algum tipo de deficiência que são representadas por dezenas de instituições associativas, coordenadorias e conselhos.

Um evento de tamanha magnitude deveria ter um objetivo mais amplo com significado de promover e desenvolver a acessibilidade de pessoas com deficiência, falar das dificuldades de locomoção que sofrem essas pessoas, da inadequada prestação de serviço de algumas empresas disponibilizadas a esse contingente e fazer uma explanação do que dispõe a vasta legislação federal que nos ampara. Teria sido um evento importantíssimo se a sociedade tivesse tomado conhecimento do encontro.

Em 6 de agosto de 2009 conforme cópia abaixo protocolei um ofício ao SETUT encaminhando a seu presidente proposta para formação de parceria entre o projeto educativo Olho de Águia idealizado e desenvolvido por mim a esse sindicato. Apesar de que no ofício enviado havia meus contatos não recebi respostas. Após 3 meses busquei informações sobre o ofício, foi agendado uma audiência com uma pessoa do setor de relações públicas que me informou que o presidente naquele momento não estava interessado em treinamento de motoristas e cobradores, agradeci a gentileza e me retirei. O Sr. Herbert Miura se quer teve a educação de me receber.

Sou um homem com deficiência visual, ex diretor da Associação dos Cegos do estado do Piauí – ACEP em 2 mandatos tenho uma grande contribuição prestada ao serviço de transporte coletivo urbano e percebi facilmente com aquele gesto indigno o quanto o trabalhador desse sistema é penalizado. Apesar desses profissionais não receberem a devida atenção nas questões de reciclagem, treinamentos e semânticas são verdadeiros heróis porque conseguem desenvolver um serviço razoável em benefício da integração, inclusão e acessibilidade da pessoa com deficiência sem ter recebido as devidas orientações relativa a essa prestação de serviço. Quando um operador comete deslize é fatalmente punido e demitido. Na minha concepção ele deveria ser submetido a um processo de reciclagem e treinamentos  para que a sua capacitação profissional fosse alcançada e em seguida devolvido para prestar um serviço de excelência a sociedade.

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