Futuro nebuloso incerto e impraticável

Acima de 6 milhões de candidatos concorreram ao certame do Enem 2016, a inscrição no Sisu para vagas em universidades públicas foi transformada em verdadeira briga de foice no escuro. O número insignificante, desprezível e ridículo de vagas disponibilizadas pelas universidades federal e estadual no Piauí foi teor altamente nocivo aos nervos, emoções e tenções dos candidatos enlouquecidos em busca da conquista dos seus objetivos.

Me chamou bastante atenção a postura dessas universidades, relativo a vertente comunicação. A Universidade Estadual disponibilizou 40 vagas para o curso de jornalismo demonstrando ojeriza ao curso de comunicação social. A Universidade Federal, desta feita ofereceu 40 vagas a comunicação social, o jornalismo foi abominado.

Estou relatando essa agressão travestida de exclusão em face de brutal concorrência, culminando com premente necessidade de mão de obra qualificada por imposição e exigência do mercado. Por ser profissional militante desse segmento, percebo facilmente proselitismos chulos, inexpressivos e vexatórios de muitos insistentes aprendizes tentando sua capacitação profissional em pleno exercício de sua atividade laboral, agredindo os tímpanos de quem os ouve e desmoralizando de forma brutal, regras, éticas e posturas legítimas inerentes ao profissional de “mam cheia”.

É facilmente perceptível ao pesquisar a internet que os cursos oferecidos ao Prouni pelas faculdades privadas, não existem o mínimo interesse das instituições de ensino em compor o convênio. A confiabilidade duvidosa dessas instituições ao convênio do governo federal, fato identificável com base na disputa infernal em busca de conquistar o alunado expurgado pelas unidades públicas, asseguram a matrícula reduzindo o valor da mensalidade em até 50%.

Entendo através desse histórico que a educação está literalmente privatizada, as políticas afirmativas com base na Lei 12.711 transformaram-se em verdadeiras farsas pelas universidades públicas ao deliberarem 7 e 8 vagas às categorias de negros, pardos, indígenas e pessoas com deficiência e oriundos de colégios públicos isento de renda. Para culminar com o processo de extrema dificuldade e exclusão o presidente Temer em 2016 sancionou a Lei 13.409 que já agrega mortal veneno a vigência da lei anterior.

Os prejuízos que o estudante pobre sofre com tais procedimentos humilhantes são irreversíveis, esse poderá ser o motivo da evasão escolar e da desistência dos jovens em concorrer um novo vestibular, reconhecendo que suas chances são dificílimas.

Os números divulgados pelo Enem próximo passado são preocupantes, humilhantes e vexatórios, 77 concorrentes em um universo acima de 6 milhões conseguiram a pontuação máxima, o Piauí foi contemplado com uma dessas pepitas provenientes de colégios da elite, 84 mil zeraram a redação e pouco mais de 280 mil deixaram de realizar o concurso por algum motivo.

Certa ocasião ao conceder entrevista na Teresina FM, o deputado federal Átila Lira, dono da Faculdade Santo Agostinho, professor e ex-secretário de educação do Piauí, declarou ao Bartolomeu Almeida e ao Domingos Bezerra que restabeleceria na câmara federal a obrigatoriedade do diploma de jornalismo ao exercício da profissão. Na oportunidade esqueceu que o Congresso Nacional é formado por 513 deputados e 81 senadores, “moral da história, plagiando o Firmino Filho”, na semana que seguiu a estapafúrdia afirmativa a mesa diretora retirou de pauta e arquivou a tão desejada votação por esse moço.

O mais grave de todo o dantesco episódio, e que esse senhor representante legítimo do povo do piauí comprometido e interessadíssimo pela educação e informação dos seus representados retirou da grade curricular da sua empresa todos os cursos do segmento de comunicação, cito marketing, publicidade e propaganda, comunicação social e jornalismo.

Esse fato me faz lembrar das peladas que participei no campo de poeira da praça da bandeira, artéria central de Teresina no princípio dos anos 60, a qualquer instante eu me irritava, e como menino birrento tomava a bola e me retirava deixando todos a ver navio. No caso do Átila, empurra o futuro do Brasil às cadeias fétidas, úmidas e superlotadas. Será que esse povo sabe votar?

Sou obrigado a desejar vida eterna ao Edson Arantes do Nascimento, popular Pelé, permanente rei da bola em todo planeta terra, que em um segundo de lucidez declarou ao mundo “o povo brasileiro não sabe votar”.

Carlos Amorim DRT 2081/PI

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima