Freio de arrumação dos generais

Nesta pauta uma síntese do processo de exceção que foi submetido aos brasileiros de tomada do poder político por militares, na realidade foi deflagrado o processo de revolução proclamada pelas forças armadas em 31 de março de 1964, com antecedência de três anos, quando o farofeiro Jânio Quadros, por menos e um ano eleito presidente da República Federativa do Brasil com estonteante e histórica votação desonrou a confiança dos eleitores.

Em 25 de agosto de 1961 renunciou ao mandato através de um simples bilhete enviado ao Congresso Nacional com os dizeres: “Este meu ato justifica-se em virtude de forças ocultas poderosíssimas que inviabilizam meu governo”. Poucos minutos após arrependeu-se e ordenou seu auxiliar que fosse pegar de volta o bilhete ao presidente do senado, o mesmo retornou de mão vazias com a seguinte informação, a mensagem já foi lida, portanto o cargo da presidência da república está vago.

O vice-presidente João Goulart estava em visita oficial a China, em decorrência da dificuldade de comunicação da época o mesmo só tomou conhecimento do tresloucado ato alguns dias depois. Seu retorno ao Brasil foi verdadeira maratona com algumas conexões em vários países Estados Unidos, Argentina, Uruguai e Paraguai, enquanto isso o Brasil vivia eferverscência digna de uma panela de pressão prestes a explodir, os militares juntaram-se aos oposicionistas e não admitiam em nenhuma hipótese que o vice assumisse o cargo em vacância em desconformidade com o que determina a constituição do Brasil.

O governador do Rio Grande do Sul Leonel de Moura Brizola cunhado do vice- presidente reagiu de forma veemente, convocou e conclamou os gaúchos e demais cidadãos brasileiros a uma resistência sangrenta a base da bala, foice, facões e outros instrumentos, através da rádio Guaíra formou rede nacional de resistência denominado de combate ao golpe militar.

A constituição brasileira teria que ser respeitada a qualquer custo, empunhando microfone na mão direita e uma metralhadora na mão esquerda desafiou os generais a guerra, inclusive fez ligação telefônica ao general Costa e Silva que em alto e bom tom antes de bater o telefone na cara do governador do Rio Grande do Sul disse-lhe: “Não ligue mais para mim”. Por aborto da natureza o general Costa e Silva foi o segundo presidente da revolução, por questões de saúde foi afastado do poder e substituído.

Os generais incomodados com a disposição do Brizola, ao reagir o plano dos golpistas resolveram bombardear o palácio do governo do Rio Grande do Sul, fato que não ocorreu em virtude que o aeroporto foi obstruído, impedindo o povo das aeronaves, como também houvera a importante contribuição e colaboração do ministro da guerra que pacificou os ânimos, ao visitar Brizola foi convidado ir a sacada do palácio Piratini, vislumbrando milhares de gaúchos prontos para guerra e também preparados para o confronto até a morte, o derramamento de sangue foi evitado pela sensibilidade e responsabilidade de importante ato humanístico do ministro que daquele momento em diante tomou as rédeas do conflito buscando alternativas.

Entrou em cena Tancredo Neves, oportunista como sempre e de olho no poder promoveu sessão no Congresso Nacional para votar o parlamentarismo, cujo placar foi de 259 a favor e pouco mais de 20 votos contra, ocorre que essa engenharia política e imediatista caiu por terra, quando o vice-presidente chegou a Brasília receoso de sofrer atentado aceitou sugestão para uma nova eleição, não prosperando a ideia em virtude que Juscelino Kubitschek estava na cara do gol com popularidade altíssima, os militares cassaram seus direitos políticos e o deportaram, sendo o vice exilado no exterior.

Os militares assumiram o poder e em 31 de março de 1964 foi ocupada a presidência da república pelo Mal. Humberto de Alencar Castelo Branco que em seu discurso de posse garantiu aos brasileiros que em um ano restabeleceria o processo democrático devolvendo o país organizado e saneado para um novo processo eleitoral, fato que não ocorreu.

Posteriormente vieram Costa e Silva, Garrastazu, Geisel e Figueiredo, 21 anos suficiente para formar a recente história política do Brasil, houve baixa nos dos lados, uns gostaram outros repudiaram. A pergunta que não quer calar, o Brasil evoluiu, cresceu e desenvolveu com esse regime? Faça seu juízo de valor.

Graças a constituição cidadã de 24 de outubro de 1988 vivemos na atualidade o Brasil acima de tudo e Deus acima de todos, inclusive os 55 anos que comemoramos nessa data.

Carlos Amorim DRT 2081

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