Faltam rédeas, brides e ferraduras

Terça-feira (19) às 14h50 adentrei a unidade da Caixa Econômica, localizada a Rua Areolino de Abreu com David Caldas, ao tentar ultrapassar a porta giratória fui obstruído, um agente de segurança em tom áspero determinou: Saia dai. Voltei e tive minha bengala e minha pasta tomados de assalto, acintosamente o desprovido guarda em voz agressiva disse-me: Vou colocar a bolsa e a bengala na caixa. Resisti a nefasta pretensão, recuperei meus pertences e perguntei ao recalcitrante: Tu foste treinado para esta função? Ignorou minha interrogação declarando textualmente: Desse jeito não posso falar com você, se quer continuar insistindo não vou te deixar entrar, fica aí esperando o chefe. Me identifiquei aquele pobre-diabo, mas apenas perdi meu precioso tempo, por 10 minutos aguardei o tal chefe que não apareceu, desisti e me retirei sem ter minhas garantias legalmente constituídas respeitadas por aquele desprezível elemento.

A Caixa Econômica Federal é useira e vezeira em promover e patrocinar brutal desrespeito e constrangimento público a pessoas com algum tipo de deficiência. É uma instituição omissa, descompromissada, conivente e irresponsável, objeto de ocorrências diárias em virtude da impunidade reinante. Se fizermos uma avaliação a grosso modo os funcionários jamais receberam algum treinamento referente a política de acessibilidade vigente no Brasil pertinente as garantias de direitos à pessoa com algum tipo de deficiência. No quesito respeitabilidade, dignidade, preferência, prioridade, etc, em conformidade com a Lei 10.048, artigo 1º e seus incisos ano 2000, desenho universal e Lei Brasileira da Inclusão-LBI nº 13.146-7/2015, como também o Decreto Federal 5.296/2004

É importante informar aos ignorantes que a bengala é um acessório propício ao auxílio a locomoção à pessoa com deficiência visual, intransferível a quem quer que seja, é reconhecida como um membro do corpo humano, é como se fosse um cão guia, com entrada autorizada em todos os recintos. No caso da pasta, que foi retida de forma indevida e criminosa não pode ser entregue a estranhos por medida de segurança, sabe-se lá quais ações poderiam vitimar o portador da mesma em virtude da ausencia da visão, portanto é inadmissível que 850 mil pessoas com algum tipo de deficiência no estado do Piauí e 350 mil exclusivamente com deficiência visual sejam submetidos a constrangimento público de forma aviltante e humilhante.

Recentemente um funcionário que detém cargo de confiança na unidade da Caixa Econômica estabelecida a Av. José dos Santos e Silva, asseverou ao presidente da Associação dos Cegos do Piauí/Acep senhor Adaílton Pacheco, que o mesmo não reunia condições para receber talão de cheque, pois não poderia assinar em decorrência da sua cegueira que na concepção do mesmo o cego é considerado analfabeto. Lamentavelmente esse ignorante, boçal e imbecil desconhece a existência do excelentíssimo senhor promotor de justiça de prenome Saraiva(com deficiência visual).

Tomarei todas as providências que o caso exige, estou dando o ponta pé inicial desta demanda denunciando o horrendo fato a Procuradoria-Geral da República secção Piauí, pois trata-se de uma estroinice da lavra de uma instituição federal.

É importante que o cidadão e cidadã com deficiência proceda com rigor no combate a fatos horrorosos como o declinado acima, para que o exercício de cidadania desse contingente seja absolutamente garantido e respeitado.

Carlos Amorim DRT 2081


Ilmo(a) Sr.(a),
Sua manifestação foi cadastrada com sucesso!

Número da manifestação: 20180071309
Chave de Consulta: cc019b68e18b9722a0432e84fb8cd38d
Data da manifestação: 21/06/2018

Descrição:
O cidadão veio a esta Procuradoria da República representar contra a Caixa Econômica

Federal. Segundo relato, o cidadão foi impedido de entrar nas dependências da CEF da

Rua Areolino de Abreu em razão de sua bengala, fato ocorrido às 14:50 do dia 19 deste mês. O Sr. CARLOS ANTÔNIO RODRIGUES DE AMORIM é pessoa com deficiência visual e necessita de uma bengala para realização de suas atividades rotineiras. Conforme informações prestadas, o segurança da CEF tomou, sem a sua autorização, a bengala que transportava para que, assim, pudesse passar pela porta giratória do estabelecimento. Não aceitando tal situação, pegou sua bengala de volta. Após, foi informado pelo mesmo segurança que não entraria na CEF se não deixasse seus pertences (bolsa e Bengala) para ser depositado em recipiente. Diante de nova recusa, o vigilante solicitou que ficasse aguardando o “seu chefe” para que ele decidisse quanto a entrada, fato que demorou cerca de 10 minutos. Não suportando tal constrangimento, o cidadão deixou o recinto sem ser atendido, o que causou-lhe prejuízos profissionais e morais.

Solicitação:
Que o MPF tome as medidas que entender cabíveis para que a referida empresa pública estejam atenta ao atendimento de pessoas com deficiência e que oriente seus funcionários e vigilantes neste sentindo.


Demais informações serão encaminhadas para seu endereço de e-mail.

Para consultar o andamento da manifestação, favor acessar a página eletrônica do MPF, opção Sala de Atendimento ao Cidadão, consultar andamento e inserir o número da manifestação e a chave de consulta fornecida acima.

Atenciosamente,

Sala de Atendimento ao Cidadão – Sistema Cidadã



Este texto foi publicado em sexta-feira, junho 22nd, 2018 às 8:45 am na(s) categoria(s) Crítica, Denúncia, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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