Execução sumária

Os poderes constituídos do Brasil e demais instituições que asseguram a funcionalidade, respeitabilidade e obediência a Carta Magna brasileira devem promover esforços sobrenaturais para evitar chacinas, homicídios e extermínios travestidos de reações de marginais em confronto com a polícia, quando o resultado com uma nova nomenclatura de neutralidade ou neutralização de bandidos, como justificativa a caçada de criminosos foragidos embrenhados em matagais ou mesmo em centros urbanos e periferias, sendo vitimados por justiceiros travestidos de policiais e objetivos típicos de jagunceiros. Essas praticas indevidas são visíveis após chacinas com os cadáveres exibidos à grande mídia como forma de dar exemplo de combate a violência generalizada que reina em Teresina no Piauí e no Brasil.

O que é inaceitável e intolerável é o exibicionismo de graduados policiais em suas manifestações a imprensa, na maioria tentando induzir, incentivar e conquistar o imbecil e desprovido que ávido por justiça, direitos, execício de cidadania, escolaridade, teto, saúde, etc aplaudem a justiça realizada pelas próprias mãos, como dente por dente, olho por olho ou a lei do mais forte, popularizada pelos veículos de comunicação de massa com o chefe do bando ostentando fuzil em cima de carroceria de caminhão asseverando que bandido bom é bandido morto, que bandido tem que morrer a qualquer custo, que a prisão de bandido deve ser debaixo de sete palmos de terra e outras boçalidades de igual valor, lamentavelmente o mal exemplo vem de cima, sendo copiado pela arraia-miúda que usa as redes sociais para propagarem suas indecências e desobediências ignorando a disciplina, doutrina e hierarquia militar.

É facilmente perceptível que muitos policiais militares demonstram seu absolutismo, não temendo o mínimo que se possa imaginar de penalidades e punição pelos conteúdos tresloucados produzidos em vídeo, o agravante é o desafio a legislação brasileira justificando sua irresponsabilidade como ato de coragem, identificando-se e assumindo total responsabilidade pelos relinchos que propagam.

É necessário que haja combate veemente as atrocidades cometidas por agentes da lei, braço armado do estado que em seu nome matam discriminadamente sem qualquer justificativa lógica e coerente oferecida ao fiscal da lei. Tenho conhecimento de dez assassinatos de acusados de roubo a banco no município de Campo Maior, os autores do massacre são uníssonos ao afirmarem a matança necessária em virtude de reação dos bandidos em desfavor da polícia. Não tenho conhecimento do contraditório, principalmente quando cadáver não fala.

O Flávio Abreu, deputado federal afastado, secretário de segurança do Piauí, precisa voltar ao banco escolar para conhecer a expressão etimologia da palavra, o que significa “neutralizar”, acredito que terá uma surpresa ao verificar que homicídio e assassinato são diferentes do adjetivo que verbaliza amiúde em suas longuíssimas entrevistas ancoradas em espaço da mídia institucional do governo.

O adágio popular diz, quem está no fogo é para se queimar e ossos do ofício são pertinentes a carreira policial. Não tenho conhecimento de necrópsias dos cadáveres das vítimas, mas pelas manifestações, muitas das vezes contraditórias de rádio e televisão foram intencionais a execuções, acredito que os disparos poderiam ter sido realizados em partes não mortais do corpo, que apenas eliminariam os bandidos do acusado, o direito a defesa, direito ao contraditório, direito ao devido processo legal de suas reações facilmente, quando seriam presas fáceis a imobilização para que o estado brasileiro e suas instituições pudessem promover o que determina a constituição federal, garantindo ao acusado direito a julgamento, direito de ser condenado ou absolvido e finalmente a custódia do estado em uma penitenciária se de fato exigir o veredicto final.

Quando um delinquente é abatido pela polícia causa imensos prejuízos a uma investigação profunda, pois a impossibilidade de um interrogatório pela polícia judiciária impede a revelação de crimes realizados anteriormente e outros em planejamentos, como também impossibilita a revelação de mentores intelectuais, patrocinadores e a cúpula do crime como um todo, com um agravante, anula as ações do Ministério Público, do Egrégio Tribunal de Justiça e OAB aos préstimos dos seus membros defendendo ou acusando o delinquente.

Os direitos humanos não podem em hipótese alguma aceitar ilações e pretextos como sendo o axioma do Joel Silva, ou seja, verdade verdadeira. O policial arbitrário, truculento, arrogante prepotente, valente que tem o hábito de matar de acordo com seu jugo, este não evita em matar o cidadão trabalhador, simples, pacato e contribuinte por qualquer que seja o motivo fútil e inexplicável. Com base na cultura de minha tataravó o costume do cachimbo é que põe a boca torta.

OBS. A logística de inteligência da volante do Getúlio Vargas cercou e surpreendeu Lampião e seu bando o matando por questão de honra do presidente ditador gaúcho, portanto constato que de lá até aqui não mudou nada nos modus operandi do extermínio de bandido ao arrepio da lei brasileira.

Carlos Amorim DRT 2081



Este texto foi publicado em sexta-feira, maio 10th, 2019 às 10:13 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

1 comentário para “Execução sumária”

  1. Monica Silva

    Parabéns pela matéria!
    Violência, que só gera mais problemas ao invés de resolve-los. Quando praticam esse ato, estão na verdade querendo vingança e não justiça.

Deixe um comentário

Seu comentário