Esferas e rodas contraditórias

Em 10 de março do corrente ano o Flamengo/PI enfrentou o Santos da cidade de Santos/SP no estádio Albertão em Teresina, partida válida pelo campeonato nacional. O time piauiense por ter empatado a partida em 2 x 2 garantiu o direito de ir a Santos para efetuar o jogo de volta, sendo derrotado por 2 x 0, retornou a Teresina respirando ares de favorito para conquistar o campeonato piauiense.

A partida semifinal foi realizada na cidade de Parnaíba litoral do Piauí entre Flamengo e Parnaíba, com vantagem do time visitante do empate para ir a final do campeonato, para surpresa de todos flamenguistas e desportistas o Flamengo perdeu por 3 x 1 nos 90 minutos provocando prorrogação, com um agravante, o empate beneficiaria e classificaria o Parnaíba, resultado o Flamengo perdeu de 1 x 0 e foi desclassificado do campeonato piauiense. O que me chamou atenção nesse episódio foi a terrível falta de lógica e explicações para justificar vertiginosa derrocada de um time que em menos de trinta dias conseguiu destruir todo seu trabalho desenvolvido desde o início do ano até a presente data, teve a proeza de empatar com o time bicampeão brasileiro composto do elenco principal com destaque para Neymar, um dos maiores craques do mundo, como terrível contraste o Flamengo vai para o jogo classificatório de campeonato no interior e consegue ser derrotado por 4 x 1, tenho dúvidas se Freud conseguiria decifrar essa façanha.

A seleção brasileira que disputará o mundial de 2014 tem como técnico Luiz Felipe Scolari, e auxiliar Carlos Alberto Parreira, dois homens vitoriosos, realizados, independentes em todos os sentidos, reconhecidos e respeitados, abdicaram de seu conforto, tranquilidade e comodidade para enfrentar a dificílima missão de conquistar o mundial. Tornaram-se susceptíveis e vulneráveis a críticas infundadas de oportunistas, maus-caracteres e cuspidores de microfones espalhados pelo Brasil. Na minha concepção essa atitude de treinar a seleção terá resultado de uma roleta russa em virtude da decadência vertiginosa do futebol brasileiro.

A classificação do Brasil no ranking mundial definido pela FIFA é simplesmente vergonhosa, a cada ano descemos um ponto, dois, três ou mais, o mundo atualmente está com suas atenções voltadas para o futebol jogado na Europa, principalmente na Espanha, tenho percebido nesses jogos amistosos da seleção brasileira que a equipe é armada para se defender, do meio de campo para a frente  é um verdadeiro Deus nos acuda, joga-se muito dependendo da sorte de uma bola parada  ou de  jogada fortuita oriunda de uma individualidade qualquer.

A seleção brasileira até a presente data não conseguiu demonstrar em seus jogos três ou quatro jogadas contínuas como foi montado na copa de 70 e 74, o que presenciamos atualmente é o jogador rifando a bola a torto e a direito, a facilidade com que o adversário toma a bola dos nossos jogadores é algo impressionante, no ano em curso tivemos apenas uma grande vitória, fizemos um show de bola em cima da seleção da Bolívia. Com esse deprimente histórico será que conseguiremos ao menos chegar à segunda fase do mundial de 2014? Os exemplos estão visíveis, nítidos e patente, basta atentarmos para as partidas finais do campeonato paulista e carioca, acredito não ser necessário mais delongas.

O consagrado Schumacher eterno campeão de Fórmula 1  parou de correr no auge de sua vitoriosa carreira,  sempre andando na frente conquistando pole-positions uma atrás da outra, assíduo frequentador de pódios, inexplicavelmente após algum tempo de aposentadoria retornou a sua atividade esportiva, desta feita teve como sua companheira inseparável derrotas e mais derrotas, carro quebrado e sucessivas batidas, não conseguiu uma única vitória sequer, decepcionado, angustiado, impotente e envergonhado abandonou de vez essa perigosa atividade que ama desenvolve-la, aposentou-se definitivamente vestindo outro uniforme, pijama, touca, meão e foi  balançar em uma rede, solitariamente chorar suas mágoas e tristezas.

Faço esse preâmbulo para alertar Parreira e Felipão de terrível risco que correm em serem futuros Schumacher da vida. Quero deixar bem claro, sou amigo do Parreira, jamais desejaria algo negativo que lhe causasse constrangimento e decepção, mas na minha avaliação, faltou ao Parreira e ao seu companheiro de luta,  amor próprio e um pouquinho de maturidade para se preservarem de risco eminente em suas vidas.



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Este texto foi publicado em segunda-feira, maio 6th, 2013 às 8:54 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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