Errado é o certo

Nessa segunda-feira 23, foi realizada em Milão na Itália evento promovido pela Fifa, premiando os melhores do futebol do ano 2018, dentre eles uma torcedora do Palmeiras,”torcedor do Ano”, senhora Sílvia Grecco, descoberta pelo Marco Aurélio Sousa, jornalista desportivo da Globo, quando descreve o desenrolar dos movimentos dos jogadores para seu filho Nickollas, adolescente de 12 anos de idade. com deficiencia visual.

Esse profissional da comunicação desconhecendo a política de acessibilidade vigente no Brasil propagou, divulgou e massificou que aquela mãe estava narrando a partida de futebol para o filho. O gesto, atitude e ação da zelosa mãe tratava-se apenas e tão somente de uma “audiodescrição”, fato comum e pitoresco nas salas de projeção de filme, quando o profissional especializado, voluntário ou interessado presta esse serviço a pessoa com deficiencia visual.

Quero deixar claro que o Brasil tem fantásticos narradores de futebol conhecidos pela grande massa aficionada por esse esporte, cito: Galvão Bueno (Globo), Garotinho (Tupy), José Silvério (Bandeirantes), Darcy Filho(Sistema Pampa), Dídimo de Castro(Cidade Verde) e outros, todos graças a tecnologia moderna ao alcance do mundo, através de rádios receptores ou aplicativos de celulares.

Esse premio oferecido ao Brasil através desses três protagonistas tem efeito nocivo em todo mundo, em virtude que a opinião pública bombardeada por gigantesca massificação do fato, deseducou e desinformou a sociedade de forma substancial, com a proposta da indevida nomenclatura, narração no lugar de audiodescrição. O mais grave de todo esse episódio refere-se a omissão, conivência, negligencia e irresponsabilidade de autoridades brasileira, especialmente as instituições e entidades que se autointitulam tutoras, protetoras e defensoras das garantias de direito das pessoas com algum tipo de deficiencia, por incrível que pareça nenhuma manifestação de contraponto a equivocada denominação premiada perante o mundo.

Me desgasto muito repreendendo maledicências da imprensa brasileira, promotora autentica de adjetivos inoportunos e inadequados, muitas das vezes propositalmente, com o objetivo de desmoralizar, descredenciar, excluir e discriminar fato ancorado na formação da criminosa barreira “atitudinal”. Imediatamente após o resultado da premiação a mãe do adolescente com deficiencia, emocionada e entusiasmada concedeu entrevista coletiva, e suas primeiras palavras foram: Ofereço este premio a todas as pessoas com algum tipo de deficiencia existente no mundo.

Por questões éticas e legais me abstenho de receber essa homenagem, na minha concepção todo o estardalhaço e exibicionismo promovido pela Fifa, no caso em tela entendo ser igual ao existente no cotidiano da mídia brasileira em desastrosa desobediência a convenção da ONU realizada em Salamanca na Espanha, cujo texto ratificado na constituição federal do Brasil desobedecida milimetricamente por tudo e por todos de forma impune, vejamos: Portador de deficiencia, portador de necessidade especial, mudo e surdo, deficiente mental, aleijado e cego, “o numero do telefone, e-mail e endereço estão no vídeo, no rodapé do seu televisor”.

OBS: Não vislumbro a luz oriunda de um palito de fósforo no fundo desse profundo poço, enquanto os atos de desobediência não forem punidos com severidade, pesadas multas, cassação de registro de concessões e em caso de reincidência cadeia pesada aos autores.

Carlos Amorim DRT 2081

 



Este texto foi publicado em terça-feira, setembro 24th, 2019 às 8:56 am na(s) categoria(s) Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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