Enganem-me que eu gosto

O Brasil não envida esforços para ser ridículo e ridicularizar cidadãos e cidadãs com algum tipo de deficiência existente nesse país.

Tomei conhecimento através da imprensa de edital de concurso para preenchimento de vagas da Polícia Rodoviária Federal. A exigência da CNH para os candidatos é hilariante em virtude da participação de pessoas com algum tipo de deficiência, 5% das vagas em conformidade com decisão da Justiça Superior do Brasil, ocorre que não foi observada a incompatibilidade dos contemplados nas cotas para as funções ou cargos disponibilizados, imaginemos uma pessoa com deficiência visual dirigindo uma viatura dessa instituição ou trocando tiros com traficantes em uma fronteira brasileira.

Percebe-se facilmente que a tão propalada inclusão de pessoas com deficiência reduz-se a simples e vulgar falácia, com único objetivo de dar satisfação à opinião pública. As instituições brasileiras promovem diariamente verdadeiros festivais de constrangimentos a quarenta e seis milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. A legislação vigente no Brasil pertinente a pessoa com deficiência, uma das mais modernas do mundo é vergonhosamente desrespeitada todos os dias, sem que haja alguma providência contra todos esses abusos.

Em cada cidade brasileira existem os famigerados conselhos, todos inoperantes, impotentes, coniventes e omissos, observam de olhos fechados e braços cruzados a derrocada desse segmento, conselho municipal, conselho estadual e conselho federal, se juntarmos todos em um embrulho o resultado será catastrófico, pois inevitavelmente o papel será estragado em pouquíssimo tempo.

A comunidade de pessoas com algum tipo de deficiência no Brasil deve tomar vergonha na cara, se autovalorizar e se politizar para reconhecer a necessidade urgente de haver representantes legítimos desse segmento nas esferas governamentais e parlamentares para que sejam elaboradas regras e leis a beneficiar esse contingente de excluídos. Só quem pode saber com exatidão o lugar que o sapato aperta o pé é quem o calça, portanto é premente e necessário que saiamos urgentemente da dependência de curiosos, oportunistas e incompetentes defensores de nossas causas. É necessário que tenhamos discernimento, já atingimos nossa maturidade para tomarmos rédeas do nosso próprio destino.

Quando houver clarividência, os transtornos e dissabores serão definitivamente defenestrados de nossas vidas, ato que provocará terrível angústia a canalhas e bandidos que compõem essa sociedade preconceituosa e discriminadora. A título de informação esse processo de renovação só deverá ocorrer talvez nos próximos quinhentos anos, se houver educação adequada para esse povo.



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Este texto foi publicado em quinta-feira, junho 13th, 2013 às 12:17 pm na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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