Em 20 de setembro de 1969 pousamos na lua

Diuturnamente a impressa em rede nacional, propaga, divulga e massifica o risco eminente de novas tragédias por rompimento de barragens de rejeitos nas áreas de exploração de minério de ferro pela companhia Vale do Rio Doce no estado de Minas Gerais. O que me deixa embasbacado é a inércia, parcimônia e omissão das autoridades brasileiras que não empreendem qualquer atitude ou alternativa para proteger e preservar vidas humanas que residem nas áreas de risco em fase de contagem regressiva para que a enxurrada de lama contaminada de metais pesados e outros bichos ceifem a vida de milhares de pessoas.

Em minha avaliação o correto seria a retirada de todos os moradores coercitivamente do espaço prestes a ruir, a complexidade dos estudos elaborados por especialistas são minuciosos e graves, mas todo esse trabalho limita-se apenas em esperar angustiosamente o momento fatal para a eclosão da tragédia anunciada. Diariamente são medidos o crescimento do rejeito acumulado, quando cada aferição supera a anterior. Minha inquietação prende-se ao fato de que todos estão apenas e tão somente aguardando o acontecimento inevitável, apesar de toda tecnologia moderna existente no mundo nenhum iluminado até a presente data conseguiu apresentar alternativa para evitar o pior.

Do alto da minha ignorância imagino que poderia haver o processo de esvaziamento dessas barragens através de um aparato mecânico em substituição a inércia de todos de braços cruzados elaborando rota de fuga para que os moradores fiquem sempre alertas ou em stand-by aguardando o esperado som da sirene tocar avisando que a hora chegou, submetendo a população a verdadeiro pandemônio, correria desenfreada a cem por hora, atropelo de todos contra todos em um salve-se quem puder.

Lamentável sobre todos os aspectos a sentença de morte vaticinada a essa fatia da população brasileira, desassistida, desprezada, abandonada, esquecida e humilhada pacientemente esperando a morte chegar com a boca escancarada cheia de dentes sem a oportunidade de escová-los, “adeus”.

Carlos Amorim DRT 2081

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *