E o vento levou

No primeiro mandato do governo Wellington Dias, fui eleito diretor da Associação dos Cegos do Piauí/ACEP na chapa do professor Aloísio pereira dos Santos, diariamente chegavam na instituição convites da primeira-dama para reuniões, debates e encontros com várias instituições que trabalham e representam pessoas com algum tipo de deficiência no estado do Piauí.

Como passaram mais de 15 anos não recordo de quantos eventos participei com o staff do governo, assessores da Rejane e inúmeros profissionais especializados em ressocialização, inclusão e inserção a garantias de direitos ao exercício de cidadania a pessoa com algum tipo de deficiência. As reuniões eram longas cansativas, exaustivas e repetitivas, recordo-me que eu já estava decidido a não participar como colaborador do projeto, lembro-me nitidamente que o último encontro foi realizado em uma das dependências do Banco do Brasil localizado à Rua Álvaro Mendes.

Rejane Dias, não perdia tempo em enfatizar ser mãe de uma pessoa com deficiência, sendo suas intenções as mais nobres possíveis, seu objetivo era contribuir o máximo que pudesse para que os piauienses com deficiência pudesse resgatar sua autoestima e assegurar qualidade de vida digna e confortável, o trabalho que desenvolveria seria ação voluntária sem qualquer tipo de remuneração no cargo que se propunha ocupar como coordenadora.

Identifiquei facilmente que todos que cercavam a mulher do governador aplaudiam tudo que ela apresentava, os objetivos escusos eram de toda monta, cada um com nítidos interesses em adquirir contracheque. Não foi difícil para perceber que tratava-se de gigantesco grupo formado por espertalhões, oportunistas e bajuladores. Pela minha experiência adquirida ao longo de 40 anos residindo e trabalhando em grandes centros do Brasil, não acreditei em uma única vírgula do que foram os compromissos assumidos por todos na elaboração do tal projeto de inclusão.

A primeira-dama no exercício de coordenadora, praticamente de 2 em 2 dias promovia eventos em hotéis 5 estrelas, faculdades, universidades, associações e outros. A gastronomia era de primeiríssima qualidade com fartas refeições, shows musicais etc. quando percebeu que o buraco era mais em baixo e que a galinha dos ovos de ouro havia sido coberta pelo galo pé seco, dona Rejane determinou ao seu marido governador Wellington Dias, que enviasse projeto de lei a assembleia para transformar sua coordenadoria em secretaria, ato decorrente de impossibilidade do cargo ser remunerado (percebe-se imensa contradição ao projeto inicial como voluntária).

Rapidamente a assembleia aprovou a proposta, sendo a ex-coordenadora guindada ao cargo de secretária com todas as garantias, benesses e privilégio que o cargo oferece, dotação orçamentaria compatível ou superior as necessidades da pasta. Os festivos eventos do passado degradaram rapidamente, doravante o objetivo único era proselitismo político, viagens quase que diariamente por todo o Piauí costurando parcerias com prefeitos, vereadores, líderes comunitários e explorando a fome, miséria e analfabetismo do povo. O resultado de todo esse árduo e sacrificante trabalho foi compensado com o prêmio de impressionante número de sufrágio nas urnas eletrônicas para a eleição de deputada estadual.

Frequentemente ouço as bravatas dessa senhora em entrevistas elencando projetos de sua lavra que alcançaram êxito absoluto reconhecidos por toda sociedade piauiense, o cristalino dos seus olhos é o Ceir, mas é importante que a primeira-dama tenha discernimento para entender que essa instituição é apenas um hospital, edificado e mantido pelo erário, é um projeto de estado e não de um governo que já passou, graças a Deus, portanto não é propriedade particular de quem quer que seja, principalmente de político demagogo, hipócrita e mentiroso.

Embora eu tenha a convicção de ter contribuído substancialmente para a política de acessibilidade do estado, não sou reconhecido por esses atos, em virtude da insistência que mantenho em cobrar providências, obediência a legislação e responsabilidade aos gestores pelos compromissos assumidos. No percusso de todos esses anos fui recebido em audiência pela primeira-dama duas vezes, após muita insistência, persistência e chá de cadeira invejável a cultura milenar da rainha Elizabeth I, no horário das 6 da tarde na Inglaterra.

Os compromissos assumidos na ocasião pela Rejane Dias, aguardo até a presente data as providências que foram assumidas para o próximo mês, tratava-se de espaço na TV estatal Antares e TV Assembleia, para que fosse desenvolvido programa educativo a acessibilidade, na ocasião representava a Acep como diretor, embasado em fé pública que o cargo me conferia.

Após várias transferências de datas para audiência com a deputada estadual Rejane Dias, certo dia uma de suas assessoras me ligou por volta de 8h30 da manhã, mencionando a impossibilidade de audiência agendada para aquela data em virtude que a Rejane Dias, estava em visita a Altos, Campo Maior e Piripiri, voltaria a Teresina apenas para conceder entrevista a uma TV e decolaria para Brasília.

Acertamos a nova agenda, e como de hábito sintonizei o rádio no Painel da Cidade, rádio Pioneira de Teresina, fiquei perplexo, estarrecido e estupefato ao me deparar com a deputada propagando o passe livre cultural aprovado na Assembleia Legislativa, por telefone intercedi na entrevista, declinei os fatos ocorridos e assegurei que a lei do assistencialismo aprovado era natimorta, pois quebraria o empresariado e shows artísticos no piauí, pois somos 850 mil pessoas com algum tipo de deficiência no estado isentos de pagamentos, apenas com a exibição da carteira do passe livre cultural.

Após encerrar minha participação a reação da parlamentar foi de terrível cólera, ódio e indignação, declarou que investigaria a informação e colocaria todos os culpados no olho da rua, as promessas foram em vão, os personagens dessa tragédia grega estão todos lotados no estado, no gabinete da secretária de educação.

Dia 4 de novembro de 2017 a convite participei no Palácio do governo de solenidade alusiva ao dia internacional da pessoa com deficiência, tive ânsia de vômito ao ouvir a Rejane Dias, primeira-dama, deputada federal e secretária de educação do Piauí, sua atitude de tecer rasgados elogios a promotora Marlúcia, foi verdadeira afronta de veemente ataque a inteligência dos presentes, em virtude que essa senhora presta desserviço, enquanto coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Pessoa com Deficiência, quando deu parecer proibitivo a instalação de sinais sonoros ao longo da Avenida Frei Serafim, em estúpida desobediência a Lei Federal 10.098/2000 artigo 9º, ao tempo em que humilhou a Acep, praticamente falida.

A secretária declinou ter investido 40 milhões de suas emendas em Parnaíba, edificando instalações específicas para algumas entidades locais, lamentavelmente temos nesse estado um povo sem-vergonha que não se valoriza, não se respeita e não preserva suas garantias legalmente constituídas, infelizmente não tenho poderes para abrir a cabeça desses idiotas para que percebam o quão são maledicentes em seu próprio desfavor.

O compromisso que assumi comigo mesmo é me afastar o máximo possível desse casal de demônios, vou me submeter a uma autovigilancia severa, não me farei presente em hipótese alguma em local que esses enganadores estiverem, enquanto vida eu tiver e eles também, pois acredito piamente que viverão bastante, o suficiente para pagarem aqui na terra com sofrimento cruel a maldição que semearam no torão piauiense.

Carlos Amorim DRT 2081



Este texto foi publicado em sábado, janeiro 20th, 2018 às 9:12 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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