Duas tentativas e dez quedas

Fábio Abreu, policial militar da reserva remunerada acumulando os cargos de deputado federal e secretário de segurança do Piauí. Deparei-me com essa autoridade no dia de ontem concedendo entrevista aos jornalistas Bartolomeu Almeida e Domingos Bezerra, rádio Teresina FM. A manifestação do entrevistado discorria em inútil tentativa de justificar seu voto em favor da permanência da presidenta Dilma no poder, declarou ter sido um ato consciente de muito compromisso com o Brasil, especialmente o povo do Piauí.

Após bravatear sobre suas convicções, conseguiu estarrecer os ouvintes da emissora com o seguinte, proselitismo. Vejamos: –Avaliei todo processo de admissibilidade do pedido de impeachment a ser votado pela Câmara Federal, não encontrei nenhum motivo que justifique o afastamento da presidenta Dilma, ela não cometeu crime algum, este foi o motivo para a definição do meu voto.

O entrevistado mente em duas situações, primeiro essa estória de consciência é simples descarada bravata, pois estava a serviço do governador do Piauí Wellington Dias. Por não confiar no suplente Silas Freire, determinou ao deputado Fábio Abreu que renunciasse a secretaria de segurança e retomasse  sua cadeira de deputado federal como titular que o é, o resto todo o Brasil acompanhou a tragédia dos apaniguados da presidenta e do PT do Piauí.

O deputado cumpriu com fidelidade de um cão obediente a imposição de seu comandante, enxovalhando sua reputação e decepcionando de forma mortal seu eleitorado que angustiado busca lenitivo como justificativa a tragédia moral, amparada no adágio popular que diz: “Quem quiser saber o valor de um homem lhe dê poder”.  Todos têm o seu preço, uns mais outros menos e alguns a preço de banana em tabuleiro no mercado da piçarra.

A segunda mentira, esta vergonhosa, humilhante, descabida, terrível e gravíssima, refiro-me ao fato da infeliz declaração do deputado em afirmar peremptoriamente não ter encontrado juridicamente nada que tipificasse crime no processo de admissibilidade do impeachment. Presenciamos o notório saber jurídico do deputado demonstrando ser expert, especialista no conhecimento do direito, PhD. oriundo das mais destacadas universidades do mundo, jurista irretocável, incontestável e inquestionável, pois com suas audaciosas afirmativas desmoraliza a mais alta corte de justiça do Brasil, o Supremo Tribunal Federal, que assegurou provimento legal e constitucional ao processo de impeachment avaliado pelos seus 11 ministros.

Tenho convicção que o nobre deputado nunca, jamais sequer olhou de longe o bojo do processo que ele diz ter avaliado minuciosamente. Fiel como um cão, com este ato conseguiu permanecer à frente da secretaria de segurança, embora esteja mais perdido que cego e tiroteio. Lamentavelmente somos obrigados a reconhecer que o povo do Piauí formado pelo gado novo, gado velho e gado doente vota mal, vota péssimo, ao desvalorizar o ato cívico do exercício do voto, quando deveria escolher seus representantes com independência, soberania, responsabilidade e liberdade, mas abdica desse objeto recebendo em troca pelo sufrágio, insignificante quinquilharia, se autotransformando em constante vitima de estelionatos eleitorais como ocorre no fato em baila.

Quando o futuro for presente, indubitavelmente o secretário se transferirá definitivamente para Brasília, oxalá que fique por lá e não retorne jamais.  A fábrica de espertalhões buscando cargos eletivos continua a todo vapor, acredito piamente que a carreira política do capacho do Wellington Dias chegou ao final com seu sonoro NÃO proclamado no último dia 17 do corrente mês na câmara alto do país em Brasília-DF.

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