Delegacia irresponsável, descompromissada, inútil e imprestável

Sexta-feira (15) por volta de 15h10 ao caminhar na calçada do lado direito da Rua Eliseu Martins em sentido a praça Rio Branco, na altura do número 1306 entre as Ruas David Caldas e 13 de Maio fui abalroado por um automóvel de placas HHN5006 São Luís-MA, que saia de um estacionamento em marcha ré imprimindo velocidade indevida. Ao ser atingido pelo veículo perguntei em voz alta se o motorista era louco, irresponsável ou cego, o condutor do automóvel simplesmente abandonou o carro ignorando o acidente recusando-se a me prestar socorro, sofri apenas um inchaço com o choque na lateral externa da perna direita, caso contornado com fricção de gelo.

Não sofri escoriações graves, em virtude que no momento do impacto a perna esquerda estava levantada para mudança do passo, se fosse ao contrário eu poderia ter tido fratura de osso. Uma situação inusitada ocorreu ao pedir alguém que me informasse a placa do carro, umas cinco pessoas paradas para especular não atenderam, cada uma com pretexto diferente, um cidadão ao reduzir a velocidade do carro que conduzia ouviu minha solicitação, parou, desceu, me prestou solidariedade e anotou a placa por mim solicitada.

Voltei em direção a Praça João Luis, tomei um táxi e fui a delegacia de acidente de auto, situada a rua 24 de janeiro nº 500, na recepção fui informado que teria que escalar 4 lances de escada, um dos informantes declinou a impossibilidade da escrivã ou delegada vir ao meu encontro, encarei o desafio de degrau a degrau, consegui chegar ao setor, a policial de serviço estava imprimindo um BO de outra ocorrência, após o ato perguntou o que eu queria, expliquei em pormenores detalhadamente do acidente, ela sem titubear negou o registro do BO usando uma série de pretextos abusivos, estúpidos e inaceitáveis, asseverou que o BO só poderia ser registrado se eu tivesse em mãos o laudo médico e perícia do IML, me identifiquei exibindo minha identidade profissional emitida pela Federação Nacional de Jornalistas, a policial me orientou a falar com a delegada em outra sala, sofri uma segunda agressão, quando a direção do gabinete foi indicado absolutamente fora dos padrões garantidos pela LBI número 13.146/2015, a inacessível senhora do conforto de sua poltrona passou a gritar: vá para a porta direita, vá para a esquerda, volte um pouquinho, empurre esta porta que está ao seu lado, entre, dobre para a direita depois dobre para a esquerda, siga no corredor e no final empurre a porta, finalmente venci o labirinto físico e a barreira atitudinal.

A policial que me atendeu, quando a saudei como sendo delegada em conformidade com o que me foi informado, ela retrucou dizendo: não sou a delegada estou só cumprindo ordens da chefe ausente, contei a mesma história, ouvi a mesmíssima cantilena cantada em versos e prosas pela pseudo escrivã, questionei se havia amparo legal para o tal procedimento, a resposta foi positiva agregando algo mais que não perguntei: Aqui a delegada tudo que faz é dentro da lei, estou aqui para cumprir o que ela determina, volte segunda-feira para resolver seu problema. Após essas estranhices verbais me despedi e fui a vida, lamentando profundamente a impunidade ao motorista atropelador, o qual brindado com absoluta impunidade, sabe-se lá inabilitado para dirigir cumulado com a situação legal veículo oriundo do Maranhão. Ao deixar o gabinete novamente fui premiado com o mesmo processo de acessibilidade que me foi disponibilizado anteriormente.

A pergunta que não que calar refere-se a ineficácia fiscalização do cumprimento de carga horária pela Secretaria de Segurança do Piauí, às 15h30 a titular da delegacia de acidentes de trânsito da Polícia Civil do estado do Piauí, ausente do local de trabalho praticamente a tarde inteira, causando imensos prejuízos ao contribuinte pagador de impostos que mantém privilégios de servidores públicos dessa joça.

Outro agravante, é a ignorância no quesito política de acessibilidade pertinente a garantias de direitos a pessoa com algum tipo de deficiência, que me remete a perguntar: Como um cadeirante conseguiria escalar aqueles ingrimes degraus ao 2º andar? O fato brutal é a omissão, negligencia, conivência, desleixo, descompromisso, irresponsabilidade e fé na absoluta impunidade mantida ao governador Wellington Dias, velho conhecido bravateiro e mentiroso mor no quesito de atendimento digno ao pleito de 850 mil pessoas com algum tipo de deficiências existentes no Piauí, dados estatísticos do IBGE censo 2010.

O prédio que concentra várias delegacias é verdadeira pocilga, deteriorado, imundo, fétido e inacessível, gostaria de saber quais providências o MP através da promotoria Centro de Apoio da Pessoa com Deficiência tomará para impedir e corrigir as indecorosas posturas denunciadas nesta edição. Tenho informação que a Marlúcia Gomes Evaristo de Almeida, promotora de justiça, dona do centro mencionado foi guindada ao CONADE, sabe-se lá se o motivo do indicativo foi esse desastre do atendimento que fui vítima pela inóspita delegacia.

Acredito que sou muito burro, burro mesmo, por suspeitar que os modus operandi de delegacias policiais recusarem-se a registrar BOs prende-se a prover índices baixíssimos de ocorrências registrados nas estatísticas de final de ano, garantindo que essa província indígena no Piauí é a mais pacífica do planeta terra. Por favor, não tentem me enganar, não minto, portanto não admito mentiras, nem mesmo do Papa Francisco.

Carlos Amorim DRT 2081



Tags:
Este texto foi publicado em terça-feira, março 19th, 2019 às 8:44 am na(s) categoria(s) Crítica, Denúncia, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

Deixe um comentário

Seu comentário