Correios por terra mar e ar imprevisível

correiosDia 15 de junho do corrente ano foi postado na agência dos correios em Porto Ferreira/ SP para unidade de tratamento em Indaiatuba/SP sob código PM186425245BR, encomenda procedente da cerâmica Scalla, cuja remessa chegou em Teresina dia 16 de julho do corrente ano. Antes de qualquer análise crítica ou comentário metaforizarei comparativamente a uma viajem que meu pai, de saudosa memória realizou em 1958 de Teresina a São Paulo a bordo de um pau de arara, a confortável viajem enfrentando chuvas, buracos, atoleiros, estradas carroçais, como também variadas intempéries naturais de todos os níveis que se possa imaginar, cujo massacre teve a duração de exatos 30 dias.

Com base nesse histórico o Brasil retrocedeu 60 anos, em virtude que em pleno 2º semestre de 2018 um caminhão, carreta ou sei lá o que diabo for a serviço dos correios e telégrafos, realiza desta feita o mesmo trajeto a passos de cágado com as patas engessadas em 32 dias, causando imensos prejuízos, prejudicando compromissos inadiáveis, demonstrando ser descompromissado, irresponsável e negligente.

Certa ocasião não muito longínqua ouvi falar do conceito dos correios perante a sociedade brasileira, ocupava o mais alto degrau do pódio, hoje não vale o que o gato enterra, sucateado, desestruturado, desestabilizado com suas funções voltadas para atender pleitos e necessidades de políticos ladrões e bandidos. Tenho convicção que o projeto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de privatizar os correios era de excelente proposta, reduzindo as empresas estatais, retirando um peso morto sobre os ombros do estado brasileiro, impedindo o brutal cabide de empregos de apaniguados, capachos e bajuladores de autoridades que compõem o staff de privilegiados do governo federal.

É visível a olhos nus que esses indecorosos fatos não vitimizam apenas a mim, é abrangente a milhões de brasileiros tornando essa instituição malfadada e falida, indesejada de forma generalizada. Infelizmente não tenho a quem apelar, sinto-me de mãos atadas, neste país eivado de vagabundagens, bandalheiras, patifarias, molecagens e canalhice. Gostaria que me sugerissem qual caminho devo seguir para ter meu prejuízo ressarcido pelos correios, quando o material ansiosamente esperado frustrou o objetivo, a finalidade de compor exposições de inovações tecnológicas em vários eventos promovidos por órgãos governamentais e privados.

Por estarmos em um período eleitoral, existe determinações legais que impedem a participação de entidades, autoridades e gestores públicos que concorrem ao pleito eleitoral, ficam vedados a participarem desses procedimentos, portanto esfacela-se um projeto trabalhado desde o início do ano com perspectivas ínfimas de retomada após as eleições, em caso de mudanças no tabuleiro do jogo de damas irei para o final da fila, enquanto acomodam-se os contemplados eleitos.

Em todos esses aspectos declinados, notabiliza-se o que é lindo fantástico e maravilhoso se por acaso eu decidir impetrar uma ação judicial para compensação de danos morais, materiais e lucros incessantes, o meritíssimo juiz togado julgador, do alto do seu tamanco Luis XV decidirá o processo com a tradicional palavrinha mágica “improcedência”.

Mais uma vez verifico que estamos no mato sem cachorro, navegando contra a maré, mais perdidos que cego em tiroteio, vítimas das mesmas terríveis forças estranhas e ocultas que causaram a renúncia do saudoso Jânio Quadros, conforme suas próprias palavras. Tenho que reconhecer as declarações de Charles de Gaulle, então presidente da França que bradou em alto e bom tom “O Brasil não é um país sério”.

Carlos Amorim DRT 2081



Este texto foi publicado em quarta-feira, julho 18th, 2018 às 9:55 am na(s) categoria(s) Crítica, Denúncia, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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