Conto do vigário

A Associação dos Cegos do Estado do Piauí/ACEP promoveu em 8 de janeiro de corrente ano a solenidade de transferência de diretoria, quando laconicamente deixou o cargo de presidente o senhor Francisco das Chagas Costa, empossando seu sucessor Janilton Marques Bastos, eleito em 4 de dezembro de 2011, cuja eleição está sub júdice assegurado pelo processo de nº 2130 63/2011. Como abertura da solenidade houve missa aos cristãos católicos, após este evento aconteceu a prestação de contas do mandato de um biênio que se encerrava.

Ouvi atentamente o vergonhoso relatório lido pela tesoureira Jane Kelly, duas situações me chamou atenção: a primeira, das seis contas correntes de variados bancos uma delas apresentou o insignificante saldo no valor de R$ 27,00, no cômputo geral essas contas bancárias somam em média 3 mil reais que ficam como herança para o presidente empossado. A segunda questão que me causou espécie foi os valores demonstrados arrecadados com a venda de materiais recicláveis, um pouco acima de R$ 800,00. O diretor do Detran doou ao então presidente da Acep Francisco das Chagas Costa em 10 de junho de 2011 vasto material inservível, mas de grande valor a instituição. Este material jamais passou pela Acep, tal fato confirmado na medíocre prestação de contas, essa doação está publicada no diário oficial do estado do Piauí em 30 de junho de 2011 folha 19 acessível a todos na internet.

O presidente Francisco das Chagas Costa questionado sobre o desvio desses donativos foi descarado quando confessou perante várias autoridades ter se apropriado e vendido todo material para quitar dívidas com servidores, manutenção de veículos e compra de materiais diversos, recusou-se a declinar quais os valores da negociata como também o nome do comprador, embora este procedimento não esteja registrado na prestação de contas, da mesma forma com vários outros desvios que não constam no balancete apresentado. Laconicamente o professor Francisco das Chagas Costa encerrou seu deprimente mandato com uma diretoria reduzida em número de 4 membros, quando conseguiu em seu improdutivo discurso de despedida estarrecer a todos presentes, convidados, associados, autoridades, corpo docente, discente e imprensa ao relatar sua incompetência e incapacidade para administrar a instituição a qual ele deixa em uma verdadeira banca rota, transformada em petição de miséria.

O estatuto da Associação dos Cegos do Estado do Piauí determina que a comissão eleitoral que regeu o processo eleitoral com eleição realizada no primeiro domingo de dezembro dê posse ao eleito no primeiro domingo de janeiro como fase de conclusão encerando o processo eleitoral.  Neste ano de 2011 a garantia legal estatutária foi desrespeitada em virtude da ausência da comissão eleitoral formada pelo senhor Wolmar Miranda, Vilma Alves e Ana Lúcia como componentes. Foi improvisado para essa atribuição o excelentíssimo senhor Wellington Dias senador da República do Brasil que por ausência do conhecimento do disposto no estatuto e edital eleitoral protagonizou a invalidação de posse dessa nova diretoria ao pronunciar em alto e bom som juntamente com os eleitos o juramento de compromisso e fidelidade as disposições legais estatutárias ( embora este ato seja realizado ao arrepio do mesmo).

Assisti toda solenidade perplexo e ao mesmo tempo envergonhado em perceber que toda ascensão acadêmica relativo a deficientes visuais é absolutamente inócuo, pois são todos idiotas, não conseguem perceber o que existe a dois palmos do nariz, por total ignorância por desconhecerem seu próprio estatuto e regras de determinações legais do edital eleitoral que disciplinou o processo eleitoral tão aplaudido pelos possíveis eleitores. Eu poderia tê-los alertado, mas me abstive para ter o termo probante a oferecer a justiça no processo que tramita na 8ª vara cível para que esta feche de uma vez por todas a tampa do caixão e anule tanto o indecente e viciado edital, quanto esta eleição comprada a preço de ouro com desvio de recursos provenientes de desvios de donativos a instituição.

Não consigo entender como uma assembléia teve a competência de aprovar este balancete com efusivos aplausos acompanhados de histéricos gritos e delírios. Para que seja alterada essa atitude demanda décadas a fio para que haja conscientização, informação, conhecimento e responsabilidade cívica com o exercício do voto disciplinado, sendo a única forma livre, independente e soberana para que o cidadão e cidadã exercitem o sagrado direito de votar e nunca esse instrumento poderá servir para alimentar corrupção e abuso do poder econômico como proposta eleitoral para conquistar votos do eleitor através da comercialização.

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Este texto foi publicado em segunda-feira, janeiro 9th, 2012 às 8:57 am na(s) categoria(s) Crítica. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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