Comandante comandado

Sábado (20) me deparei com o comandante da Polícia Militar de Timon no Maranhão concedendo entrevista em uma emissora de rádio, no preâmbulo do início da matéria fez algumas considerações as autoridades que decidiram sua vinda para sua nova caserna.

Com o objetivo de testar sua independência, conhecimento e senso do contexto que permeia a vida social, administrativa, política e outros, produzi um áudio com o seguinte teor: A violência em todo estado brasileiro é crescente, desafiadora e incontrolável, mas facilmente possível de ser exterminada, defenestrada e vencida. Para que tenhamos efeitos positivos é necessário a participação da população brasileira, especialmente do eleitorado, em virtude que vota há séculos elegendo os mesmos velhos conhecidos da política brasileira, é premente, necessário e urgente que as cláusulas pétreas da Constituição do Brasil sejam revogadas, se possível a elaboração de uma nova Carta Magna.

O Congresso Nacional assiste de braços cruzados, inerte, omisso e conivente deve ser renovado, implementando, severas, rigorosíssimas e drásticas reformas para que indivíduos presos por atos criminosos tenham a impunidade como prêmio, milhares de vezes, diariamente o marginal é preso e seu histórico de delitos é vastíssimo, quantas ocorrências de fugitivos reincidentes dezenas de vezes são recambiados a cela por envolvimentos e autoria de crimes terríveis, para conter tais atos atrozes o Congresso Nacional deverá determinar celeridade a justiça, como também ao julgador togado do direito, junto a essa providência edificações de penitenciárias agrícolas de segurança máxima com trabalhos forçados para que o condenado qualquer que seja a quantidade de anos recluso preste trabalho na lavoura plantando e colhendo como mão de obra positiva por 8 horas diárias para se auto sustentar, contribuir com o estado, e a mercantilização do fruto do seu trabalho ser revestido para sua família e outra parte como forma de indenização a quem ele prejudicou em seus atos antissociais.

É importante informar que o condenado não teria nenhuma regalia, o regime seria semelhante ao de krakatoa, tolerância zero, o recluso teria apenas e unicamente o direito de cumprir sua pena até o último minuto da condenação. Tenho absoluta certeza que essas providencia implementada as polícias perderiam suas razões de existência.

Para minha surpresa o comandante com bastante dificuldade de expressão respondeu que seu trabalho consiste apenas e tão somente no quesito segurança pública, não pode e não deve tecer comentários, quem são os culpados, de onde provem a inercia e descompromisso referente as minhas manifestações, sendo os parlamentares autênticos representantes do povo, sabendo o que devem ou não fazerem, portanto não teceria qualquer juízo de valor a respeito.

A resposta dessa autoridade em um veículo de comunicação através dos aparatos que retransmitem para o mundo, fiquei deveras preocupado com o nível de consciência social, compromisso com o exercício de cidadania, preocupação com a crescente criminalidade reinante e principalmente com o sentimento de inquietação, revolta e absoluta ausência de indignação própria ao ser humano.

Ao ouvir todo despautério, retroagi a época do curso ginasial, quando tive como contemporâneo o Des. Cleones de Carvalho Cunha, há 3 anos exerceu a presidência do Tribunal de Justiça do Maranhão, sem titubear reconheci no coronel como símbolo criado pelo Scipione de Pierro Netto, pai da matemática moderna que dentre sua criatividade apresentou para o mundo o conjunto vazio, em consonância com outro símbolo importante para cálculos incógnitos de difíceis resoluções, refiro-me ao implica ou acarreta.

Não satisfeito com a manifestação do coronel a meu respeito, emiti outro áudio de semântica semelhante a primeira. Coronel estou retornando, com o sentimento que o senhor nutre ao realizar campana de 30 dias, ao lograr êxito conduz o meliante preso para a delegacia judiciária, surpreendentemente o indivíduo é libertado antes do senhor e de sua equipe, qual sua reação perante esse inóspito ato? Para minha perplexidade a emenda foi pior que o soneto: “Eu faço o meu trabalho, prendo e levo para a delegacia, se alguém libera o acusado antes da minha saída, isso não é do meu interesse, não tenho nada a ver com tal atitude, minha atuação não consiste em avaliações de que está certo ou errado. Se o preso que foi solto cometer atos com práticas criminosas eu prendo novamente, e assim sucessivamente quantas vezes forem necessário”.

Percebi facilmente que o comandante da Polícia Militar do batalhão de Timon com essa pratica corriqueira é autentico enxugador de gelo, em descompasso ao que protagoniza o governador do Maranhão Flávio Dino, exemplo contundente é o processo disciplinar imposto na “antes” penitenciaria de pedrinhas. O coronel deixou explícito mesmo sem qualquer, manifestação que o importante é combustível abundante para a promoção de um verdadeiro oba-oba nas periferias, muquifos e favelas onde o proletariado é presa fácil na cidade dos leitões e leitoas.

Um ex-comandante coronel da Polícia Militar do Piauí, em algumas de suas manifestações públicas cunhou a seguinte frase: “o crime compensa”, a policia prende e a justiça solta, quando será que os comandantes desse país tomarão vergonha em suas caras? É evidente que eu tenha obrigação de reconhecer que nem os dedos das nossas mãos são iguais, imagine as atitudes dos indivíduos.

Carlos Amorim DRT 2081/PI

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