Chá de burro oferecido pelo TJ/PI

A Inglaterra cultua tradicionalmente o hábito do chá das cinco horas da tarde na corte da rainha inglesa, acompanhada de lordes e feudais de sangue azul, em outras partes do mundo o exercício de tomar chá prende-se simplesmente a rituais herdado de ancestrais.

O Brasileiro toma chá de casca de laranja, folha de laranjeira, limão, camomila, chá preto, chá mate, chá da Cannabis sativa e outros de diferentes espécies. Os bolivianos usam abundantemente o chá da folha da coca ”epadu”. Faço esse preâmbulo com a finalidade de elencar uma modalidade de chá muito praticado no Brasil, Piauí, especialmente em Teresina, sua fundamental importância é desrespeitar cidadãos e cidadãs, humilhar, discriminar, desmoralizar, excluir e desonrar direitos legalmente constituídos do contribuinte, refiro-me ao famigerado chá de cadeira, prática nociva e criminosa desenvolvida em antessala de gabinetes de autoridades irresponsáveis, descompromissadas, totalitárias, vaidosas, orgulhosas e egoístas, culminando com a incompetência e despreparo de subalternos desses gestores, muitas das vezes avocando para si de maneira desautorizada  atribuições eminentemente inerente ao titular da pasta  que por absoluta falta de comando não percebe terríveis crimes que ocorrem diariamente em seu ambiente de trabalho.

Nessa terça-feira (04) fui tratar de uma demanda judicial junta a uma autoridade do TJ/PI, adentrei ao gabinete às 10h 40min, a servidora ouviu meu pleito e foi ao encontro da autoridade que solicitei, ao retornar disse para esperar, fiquei 25 minutos em pé em frente ao birô em que a atendente se movimentava de um lado para outro confortavelmente instalada em uma poltrona, após atender um advogado me disse: já localizei o seu processo, vou pedir que o senhor se acomode em uma dessas cadeiras do lado de fora, o desembargador está despachando quando terminar o senhor será chamado, me dirigi até o acento indicado localizado a 20cm da porta de entrada sendo incomodado apenas e tão somente com o barulho de dezenas de pessoas entrando e saindo para ter com aquela impoluta autoridade.

Às 14h 15min uma servidora que trabalha em um gabinete próximo me abordou indagando: eu percebo que o senhor está sentado aí há muito tempo, o senhor está esperando alguém? Resposta positiva, ela demonstrando preocupação, indignação e revolta externou: o que fizeram com o senhor foi uma maldade, o expediente já terminou não existe mais ninguém nesse gabinete, nesse ínterim um servidor que se preparava para sair ouviu a conversa e veio ter comigo, disse que o desembargador estava em uma reunião para a escolha de outro membro daquele poder e não voltaria, se desculpou pela falha das servidoras que me atenderam e antes de partir se colocou a minha disposição garantindo que fatos deprimentes como os que vivi não voltaria a ocorrer.

O lúdico desse episódio é a terrível falta de respeito da servidora que me atendeu, pois esta ao deixar seu local de trabalho passou por mim sem se quer dar a mínima satisfação, simplesmente me ignorou mesmo sabendo que sou pessoa com deficiencia visual. O grande legado desse episódio que fica para reflexão e avaliação é a necessidade premente, urgente e imediata de implantar severas penalidades de punição a quem quer que seja ao desrespeitar o arcabouço jurídico da legislação vigente no Brasil pertinente a pessoa com deficiencia. O fato que ocorreu comigo é de uma gravidade horrenda, demonstra visivelmente o estado de anarquia existente no Brasil, vejamos: o objetivo que me levou a buscar essa autoridade constituída desse poder prendia simplesmente em demonstrar a necessidade de uma definição célere para minha demanda, pois sou abraçado por vasta legislação de garantias de direito a prioridade em pleitos e serviços solicitados.

Surpreendentemente o poder judiciário que deveria ter atribuição de respeitar, zelar e fazer cumprir dispostos do texto constitucional brasileiro lamentavelmente exime-se desse dever e rasga vergonhosamente direitos de cidadãos e cidadãs com algum tipo de deficiencia escrito em letras mortas em um papel qualquer e descompromissadamente o arremessa na lata de lixo. Dados estatísticos do IBGE senso 2.010 assegura a existência de 46 milhões de pessoas com algum tipo de deficiencia no Brasil, sendo o poder judiciário o palco das grandes decepções desse contingente em virtude do procedimento discriminatório, preconceituoso e excludente de seus membros que não conseguem conviver harmoniosamente com ditos diferentes, reconhecendo nessas pessoas competência, inteligência e profissionalismo.

O excelentíssimo senador José Sarney autor da Lei 7.853 de 24 de outubro de 1.989 regulamentada pelo decreto 3.298/1999 conseguiu redescobrir o Brasil aos brasileiros, contribuiu para identificação de verdadeiras sucatas humanas segregadas  a sua própria sorte, fome, miséria e lágrimas. No momento que vivemos de resgate desse contingente da sociedade agora mais protegidos e amparados ao menos teoricamente em virtude de outras leis que vieram posteriormente de garantias de exercício a cidadania cito: Lei 10.048/2000 regulamentada pelo decreto 5.296/2004 e Lei 10.098/2000, legislação específica a garantias de direito ao cidadão com algum tipo de deficiencia no Brasil.

Quero registrar como bom exemplo a ser seguido o excelentíssimo senhor Brandão de Carvalho, desembargador do TJ/PI como pessoa digna, acessível, responsável, integra, sensível, atenciosa e humana é na minha humilde avaliação raríssima exceção dentre todos os membros desse poder no Piauí.  O obstáculo intransponível enfrentado diariamente por pessoas com deficiencia é a barreira atitudinal, que está incrustada nas mentes, nos corações e no sangue de indivíduos preconceituosos da nossa sociedade.



Tags: , ,
Este texto foi publicado em quarta-feira, junho 5th, 2013 às 9:35 am na(s) categoria(s) Crítica, Denúncia. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

Deixe um comentário

Seu comentário