Carta fora do baralho

A cidade de Volta Redonda localizada no Rio de janeiro, é reconhecida mundialmente pela grandiosidade de sua siderúrgica, gigantescas caldeiras capazes de transformar em líquido toneladas de minério de ferro com temperatura de milhões de graus Celsius submetidos a essa operação. Quero com essa informação metaforizar em termos comparativos a efervescência caudalosa que vive Brasília, especificamente o caldeirão infernal que transformou os dois poderes do Congresso Nacional, provocando imensas preocupações ao Palácio do Planalto, Alvorada, Jaburu e outros.

Não quero em hipótese alguma ao menos imaginar estar no lugar da presidenta Dilma Rousseff. Acredito que essa autoridade está entre dois quentes e um fervendo, vivendo intermináveis dias de cão, no mínimo sofre terrível insônia, mal humorada, tensa, talvez até se alimentando a base de caldo de pinto, obedecendo à imposição de implacável fastio. Vergonha, decepção e desengano são presenças constantes a fortalecer a angústia e desespero que permeia a vida da maior autoridade do poder executivo do Brasil nesses momentos decisivos de sua derrocada pelo impeachment que já está em votação na câmara dos deputados federais.

Conhecendo os fatos através da mídia, a queda da presidenta Dilma são favas contadas, mas em conformidade com suas próprias palavras declarou em entrevista coletiva que lutará para defender o seu mandato até o último segundo final. O desanimo e apatia são visíveis a olhos nus aos que se empenharam em reverterem o processo do impeachment, estão todos abatidos, exauridos e amargando a sensação da derrota.

O entusiasmo deu lugar a discursos de perdedores, o próprio Lula e companhia já jogou a toalha, nocauteado, impotente e contido declarou a jornalistas que para salvar o mandato da Dilma só milagre. Petistas fanáticos ainda acreditam em um filete de esperança, argumentam que as pesquisas estão erradas, os partidos que desembarcaram do iate do governo podem retornar a qualquer momento mudando o rumo ou a trajetória do que está nítido e visível a quem quiser conhecer.

Os massas de manobra, capachos, bajuladores, puxa-sacos, carregadores de bandeira e transportadores de pinico, têm convicção que todo o processo que envolve  esse procedimento institucional legal, é simples obra  de inimigos, dos pobres, miseráveis, famintos, analfabetos e desempregados, acusam as elites, poderosos e ricos de não suportarem a dona Dilma, mãe dos pobres no poder, como também, o descobridor do Brasil Luís Inácio Lula da Silva, que cunhou a célebre frase “Nunca dantes nesse país”, conseguindo realizar sonhos jamais imaginados pelos brasileiros.

Como golpe de misericórdia o Superior Tribunal Federal indeferiu pedido de frustrada tentativa de judicializar regras promovidas pelo presidente da Câmara Federal para votação do impeachment, sendo o placar da decisão dos ministros 8 a favor e dois contra, fechando de uma vez por todas a tampa do  caixão aguardando apenas a hora do sepultamento.

Vários jornais dos grandes centros do país há um mês publicam nomes e fotos de parlamentares que declinam seus votos pró e contra impeachment. O jornal O estado de São Paulo na edição de ontem quinta-feira (14) publicou haver 332 votos pró-impeachment, a três dias da votação faltando apenas 10 votos para defenestrar a rainha das pedaladas. É de bom alvitre informar que uma média de 100 deputados de diversos partidos, inclusive os nanicos que somam 33 votos, tendo estas pequeninas agremiações assegurados 25 votos pró, porém muitos não se decidiram, uns estão em cima do muro outros na corda bamba, alguns sentados no confortável plenário da câmara de cara pra cima com a boca aberta pedindo inspiração divina para lhes direcionar qual o caminho plausível a seguir. É importante registrar a existência dos camuflados, posso assegurar em minha humilde avaliação que são apenas três, inferno, trevas e paraíso.

O resultado do jogo Brasil e Alemanha da copa do mundo de 2014, um ano antes do evento escrevi neste veículo matéria que denominei “Esferas e rodas contraditórias”, quando vaticinei o resultado do campeonato mundial já conhecidos por todos os brasileiros, usei como mote para desenvolver o texto o campeão de formula 1 Michael Schumacher, 7 vezes campeão do mundo, por incrível que pareça foi o número de gols da acachapante vitória sobre o Brasil. Vou tentar repetir essa façanha, sendo necessário dessa feita me transformar em uma mãe de nada ou Oswald de Souza ao divulgar meu placar  dos números do resultado das duas votações na câmara e senado, com margem de erro cinco pontos para cima ou para baixo.

Voto dos deputados federais 356 a favor do impeachment, votos contrários 140. Voto dos senadores 56 a favor, votos contrários 34. Alguém poderá questionar que fórmula foi usada para chegar a definição desses números, respondo com a maior facilidade, efetuei os mesmos cálculos desenvolvidos pelos Fenícios, Incas e Maias, civilizações que nos antecederam a milhares de séculos, suas inteligências  privilegiadas foram capazes de sobreviverem até o nosso século XXI, portanto não estamos reinventando a roda nem tão pouco redescobrindo a pólvora apenas rebuscando conhecimentos através dos nossos alfarrábios.

Aguardaremos, portanto com ansiedade a festa cívica brasileira agendada para o dia 18, uma domingueira que entrará para os anais da história recente do Brasil. Vida eterna a nossa democracia, aos poderes constituídos e as instituições.



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Este texto foi publicado em sexta-feira, abril 15th, 2016 às 10:01 am na(s) categoria(s) Crítica, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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