Carnaval e boçalidades

A política de acessibilidade vigente no Brasil pertinente as garantias de direitos às pessoas com algum tipo de deficiência é devastadora, desmoralizante e humilhante em Teresina, no Piauí e Brasil. A vastíssima legislação oriunda das casas legislativas brasileiras perderam e perdem tempos preciosos, elaborando leis natimortas, é aviltante o desprezo desse arcabouço jurídico que deveria assegurar linearmente proteção a 46 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência existente no Brasil, 850 mil no estado do Piauí e 220 mil no município de Teresina, dados do IBGE censo 2010.

Lei Brasileira da Inclusão/LBI nº 13.146/2015 foi concebida embasada na convenção da ONU realizada em Salamanca na Espanha estando ratificada na constituição federal do Brasil, para minha surpresa esse documento é desrespeitado minuto a minuto por autoridades, gestores públicos, autarquias, secretarias, sociedade, poderes, Ministério Público e por incrível que pareça assevero brutal ignorância do Egrégio Tribunal de Justiças as determinações do Estatuto da Pessoa com Deficiência do Brasil.

Avenida Barão de Castelo Branco, em frente a igreja católica São Francisco de Assis, a sinalização sonora está avariada meses, fato constatado na data de hoje por profissionais do jornal O Dia.

Avenida Frei Serafim, centro nervoso de Teresina com altíssima rotatividade de veículos, a promotora de justiça Marlúcia Evaristo Gomes de Almeida, então coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Pessoa com Deficiência MP/PI deu parecer proibitivo a instalação de sinais sonoros ao longo dessa avenida com argumento imbecilizado que a instalação do aparato de segurança desarticularia toda a sinalização semafórica ao longo da via, que tem início atrás da igreja São Benedito a ponte Juscelino Kubitschek, essa aberração de 2009 perdura até a presente data.

É importante registrar ocorrência de óbitos ao longo dessa via, havendo a conivência da OAB-PI, Conselhos municipal e estadual, Câmara Municipal, Assembleia Legislativa, Procuradoria da República/PI, Defensoria Pública, Corregedoria MP/PI, Prefeitura e Strans.

Certa ocasião estive no gabinete da promotora de prenome Míriam, MP-PI, para reclamar de um procedimento impetrado por mim não contemplado com a prioridade garantido a pessoa com deficiência. A promotora sem titubear demonstrando brutal desconhecimento a legislação me afrontou assegurando que a prioridade no setor de degravação da polícia técnica garante prioridade a mulher estuprada, criança violentada e idoso agredido.

O mais cômico de toda essa tragédia de teatro grego, recorri a instituição superior da polícia civil do Piauí e a alternativa encontrada foi simplesmente extinguir o setor de degravação. Fatos horrorosos como esses só ocorrem no Piauí, em virtude que no comando atua verdadeiro sindicato de bandidos muito bem remunerados para debochar do contribuinte.

Poderia ficar relatando esses criminosos fatos por vários dias, mas me conterei apenas com os declinados. Me veio espontaneamente uma matéria policialesca massificada por um cuspidor de microfone de remuneração insignificante, vejamos: Ao narrar um arrombamento em um banco descreveu que o meliante fugia em desabalada carreira sacizando, pois era perneta, tinha uma perna amputada. Reconheço nesse indivíduo protagonizar crime de injúria em virtude de tratar-se de uma pessoa com deficiência física.

O relincho daquele miserável registrado em uma concessão pública de rádio com abrangência inimaginável deseduca e incentiva o processo de preconceito, discriminação e exclusão, fatos horrorosos como esses acontecem graças à impunidade ao ignorante e recalcitrante, pois tem certeza que nada lhes acontecerá.

Carlos Amorim DRT 2081



Este texto foi publicado em terça-feira, fevereiro 19th, 2019 às 9:03 am na(s) categoria(s) Crítica, Denúncia, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

Deixe um comentário

Seu comentário