Água mole em pedra dura

O Brasil é desorganizado, desestruturado, irresponsável no que se refere a fiscalização a correta aceitação das legislações brasileiras das três esferas de poder. A nação brasileira é a que mais cria e aprova leis através de suas casas legislativas, o congresso nacional formado por 513 deputados federais, o senado com 81 membros, 27 unidades federativas com dois poderes, legislativos estaduais e municipais, somando a 5.700 municípios, todos com autonomias municipais através de suas câmaras, legislando e aprovando leis.

Imagino que apenas o matemático Oswald de Souza tenha a capacidade de contabilizar todas essas leis aprovadas, promulgadas e publicadas nos Diários Oficiais em suas respectivas regiões. Faço esse preâmbulo para denunciar o estúpido desrespeito ao Estatuto da Pessoa com Deficiência do Brasil, garantido pela Lei Brasileira da Inclusão/LBI nº 13.145/2015, como também, o Estatuto do Idoso, Lei nº 10.741/2003. No Brasil dados estatísticos oficiais do IBGE censo 2010, existem 46 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, no que se refere a idosos acima de 65 anos em virtude de comprovada longevidade tem assegurado direitos legalmente constituídos.

O Brasil é considerado como sendo um dos maiores índices populacionais de idosos, preocupando as autoridades a promoverem investimentos na geriatria especializada, ocorre que as clínicas e hospitais de Teresina estão criando aleatoriamente ao arrepio da lei mecanismos que revoga e invalida as legislações acima mencionadas por livres e espontâneas vontades administrativas.

Dados oficiais asseguram a existência de 27 mil estabelecimentos de saúde no Brasil, empregando mão de obra acima de 2 milhões de profissionais. Em meus parcos conhecimentos ouso registrar que absoluta maioria desse contingente não tem capacitação e conhecimento devido relativo a politicas de acessibilidade vigente no Brasil de garantias de direitos às pessoas com algum tipo de deficiência, como também, a gigantesca comunidade de idosos

Estive no Hospital Gastrovita, localizada a Rua São Pedro 1970 Centro-Sul, meu objetivo seria realizar checape anual, agendei consulta para as 16h, fui avisado pelo atendente que o médico chegaria por volta das 17h, por prevenção me antecipei chegando as 15h30, fui levado ao local da consulta, a atendente me entregou uma senha e disse-me: Será chamado o seu nome eletronicamente. Perguntei se havia alguém com algum tipo de deficiência para o atendimento, a resposta foi negativa com a seguinte explicação: O senhor será o primeiro. Questionei a jovem inexperiente que me atendeu: Sendo chamado o paciente nominalmente o número existente na senha não tem nenhuma utilidade. A jovem surpresa com o meu questionamento pediu a senha de volta e me acomodou em um acento para esperar o atendimento em uma das várias unidades que só aconteceu as 17h25.

O cômico de todo esse dantesco episódio é que após eu amargar mais de duas horas de chá de cadeira, ao ser chamado levantei-me e mais perdido que cego em tiroteio fiquei sem saber para onde seguir, não havia nenhum funcionário disponível ao meu atendimento, um cliente se manifestou de forma solidária, me conduziu até o consultório o qual estava localizado a 5 metros de onde eu me encontrava.

Ao adentrar saudei o médico que apesar de perceber minha deficiência visual continuou sentado e me orientou verbalmente: Vá para o outro lado, a cadeira está a sua frente do lado direito. Percebi imediatamente que aquela prática era de alguém que desconhece a política de acessibilidade, ao sentar-me disse: Dr. Posso lhe fazer uma pergunta? A resposta foi positiva. A prioridade ao atendimento a pessoa com deficiência em conformidade com a legislação não é respeitada nessa clínica?

A resposta na minha concepção foi verdadeira embromação, parecido com a expressão que combateu ao tráfico de negros no ano de 1887 para inglês ver, finalmente declinou que a direção da empresa criou um método próprio para atendimento em bloco, com a finalidade de evitar discussões, brigas e confusões dos próprios pacientes. Verificou no computador que o meu bloco seria o de 17 as 18h por ordem de chegada, exigi explicações: Pelo que percebo a garantia a prioridade foi anulada por decisão administrativa da empresa de forma arbitrária. A a resposta veio de forma ácida, informando que se não houvesse alguém para ser atendido com a senha de número anterior a minha, eu teria a prioridade ao atendimento. Dei por encerrada a improdutiva informação a qualificando de samba do crioulo doido.

Com a palavra o Ministério Publico através da promotoria especializada que determine o atendimento correto garantido pela legislação federal. Entendo que a prioridade é o imediato atendimento após a finalização a prestação do serviço em andamento, inclusive este item é um dos artigos do estatuto da pessoa com deficiência do estado do Piauí da lavra da então deputada estadual Rejane Dias. É importante que a fiscalização desse órgão se estenda de forma generalizada as demais empresas do segmento do atendimento médico do polo empresarial de Teresina.

OBS. Quando exijo garantias legalmente constituídas pelo estado brasileiro, não estou pedindo favor a ninguém, apenas exercendo minha cidadania como brasileiro de fato e de direito.

Carlos Amorim DRT 2081



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Este texto foi publicado em sábado, novembro 24th, 2018 às 10:09 am na(s) categoria(s) Crítica, Denúncia, Geral. Você pode acompanhar todos os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou dar trackback através do seu próprio site.

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