A concessão nossa de cada dia

O processo de bloqueio e exclusão promovido pelos veículos de comunicação do Piauí é visível aos olhos e mentes da nossa população. A ocupação desses espaços por pessoas com deficiências é cada vez mais severo, é necessário o cumprimento de minuciosos detalhes pré estabelecidos pelos que dominam esse segmento. Precisa-se insistir e persistir em uma inabalável obsessão para que os direitos legalmente conhecidos sejam, respeitados.

Vimos com uma preocupação muito grande o processo de bajulação ao corroborar em assuntos de certas pautas que não condizem com a realidade dos fatos, apenas contemplam o mercantilismo que impera e domina nossos veículos de comunicação. Se alguém ousar em externar o seu pensamento e que os mesmos afetem os interesses acima mencionados estará fatalmente alijado, defenestrado como Persona nom grata ou “polemica”.  Eles são contumazes em práticas nocivas e desonestas, pois quando são interpelados apresentam pretextos e álibis que são aceitos pelas autoridades no frio do interior dos seus gabinetes prejudicando assim um segmento, a população e sociedade.

Em outubro de 2007 estive envolvido em uma desgastante campanha para presidente da Associação dos Cegos do Piauí – ACEP com o objetivo de conscientizar, informar, educar e politizar o eleitorado da comunidade de cegos do Piauí, busquei fazê-los através dos veículos de comunicação, autorizado que fui pelo edital expedido pela comissão eleitoral naquela ocasião composta por membros da direção da OAB secção PI.

Fiquei surpreso com a defesa da então diretora da rádio Antares, quando em seu depoimento no MP do Piauí informou que a proibição imposta a mim foi devido a explanação de minhas propostas levada a opinião pública repetidas vezes sem que houvessem as demais chapas se manifestado.  Se as mesmas não se manifestaram, não tinham nada a falar, não havia propostas ou projetos a serem divulgados. Portanto eu jamais poderia ser prejudicado em razão da omissão, inoperância, incompetência e desrespeito a nossa instituição.

É importante lembrar que a emissora de rádio é uma concessão pública e quando apresenta um programa com a participação popular por telefone comete-se crime de cerceamento de expressão quando negado por quem quer que seja o direito a palavra, (eu posso ligar de segunda a sexta-feira para programa que seja aberto a participação dizer “sapato de pobre é tamanco”).  Qualquer programa que seja feito é para o ouvinte, nesse caso que é inusitado de acordo com o termo de audiência abaixo a satisfação teria de ser plena a diretora.

Estamos vivendo um momento pré eleitoral e qualquer veículo de comunicação versa cotidianamente sobre o processo eleitoral partidário e nem por isso alguém foi proibido de se manifestar sobre o assunto política.  No meu caso, como se tratava de uma eleição para uma instituição de deficientes tive a resposta que sempre é nos oferecida “NÃO”. O mais estarrecedor é que a referida diretora declinou em seu depoimento que por eu ter denunciado a emissora ela não mais promoveu o debate que digo ser o autor da proposta.

Para perplexidade de todos a emissora envolvida nesse possível crime é uma estatal do Piauí que como fundação tem a obrigação de educar e informar.  Foi-nos negado o direito a massificar a maior inclusão do cego do Brasil neste século, o acesso a nova tecnologia, votar em urna eletrônica.  A SEID (Secretaria Estadual para a Inclusão da Pessoa com Deficiência) não disse a que veio no item comunicação, não existiu e não existe nenhuma matéria educativa voltada as questões da pessoa com deficiência sendo veiculada em quaisquer emissora.

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