Cego cai em buraco da prefeitura

Em 16 de agosto de 1852 na chapada do corisco foi lançado o marco zero para a fundação de Teresina, hoje praça Marechal Deodoro da Fonseca popularmente conhecida como praça da bandeira coração dessa cidade.

Em 08 de abril de 2010 uma sexta feira, às 15h eu, Carlos Amorim deficiente visual quando tentei tomar um ônibus no ponto 4 fui surpreendido com uma cratera a minha frente e tive a infelicidade de cair nesse buraco que juntamente com vários outros foram abertos para edificar os abrigos com o objetivo de atender aos usuários do transporte coletivo urbano. Os referidos buracos foram abertos há dezenas de dias sem que exista qualquer tipo de aviso ou proteção de tapumes para isolar aquela artéria.

São milhares de pessoas transitando diariamente colocando suas vidas em risco a permanente ocorrência de acidentes. Ha 200m do local do acidente que sofri existe um portão que dá acesso para a travessia da praça da bandeira, há um rebaixamento de guia seguido de uma faixa de pedestre que é exclusivamente para ser usada por cadeirantes, como não há fiscalização por parte do poder público tornou-se via para circulação de bicicletas e motos com um agravante, os mesmos imprimindo alta velocidade acidentando até quem tem dois olhos na cara.

Em uma parada de ônibus na Av. Maranhão em frente ao SETUT existe um semáforo, um sinal sonoro e uma faixa de pedestre via que serve para travessia de cegos em segurança, só que para chegar a esse ponto sinalizado temos que transpor dezenas de obstáculos, buracos, declives, aclives, bancas de camelôs, placas e postes. Na via que separa a avenida existe um poste bem no meio que acredito esse obstáculo foi colocado estrategicamente para o cego bater a cara, para o cadeirante torna-se impossível transpor aquela via, pois a mesma tem uma média de 20 cm de altura.

No primeiro ponto de ônibus da Av. José dos Santos e Silva ali serve de exemplo para o mundo, na referida parada existe um estacionamento de carro de um supermercado onde deveria ser uma calçada, começando exatamente no cruzamento da Rua João Cabral com Av. José dos Santos e Silva, foi colocado umas barras de gelo baiano do citado cruzamento até o ponto de ônibus que fica a uma distância de 30m. Agora imagine uma pessoa em cadeira de rodas para transpor estes obstáculos para tomar uma condução?

A parada de ônibus da Rua 24 de janeiro cruzamento com a Rua Paissandú é outro exemplo para a Suissa admirar, verdadeiras crateras onde no dia 9 de abril do corrente ano após uma chuva aquela artéria ficou totalmente alagada por mais de 5 horas entre 7 da manhã e meio dia.

Na Avenida Frei Serafim no sentido zona leste no último ponto de ônibus antes da ponte ali é uma verdadeira via-crúcis principalmente para deficientes, a calçada tem uma média de 1m de largura com uma altura de 40 cm, ali há uma concentração muito grande de pessoas aguardando coletivo, concorrendo com bancas de camelôs, placas, painéis e buracos. O engenheiro que planejou e edificou essa excrescência merece ganhar o óscar como cômico da engenharia mundial.

No cruzamento da Avenida João XXIII com Nossa Senhora de Fátima no bairro Jóquei Clube existe um bar e restaurante que funciona literalmente ocupando toda a calçada tornando impossível qualquer pessoa transitar por aquele local especialmente aquele que tem mobilidade reduzida ou algum tipo de deficiência.

Retornemos a Avenida Frei Serafim no sentido centro, o ponto de ônibus localizado em frente ao hospital Getúlio Vargas você atravessa a rua e se depara com um estacionamento de veículos em cima da calçada com um agravante o dono daquele pedaço delimitou com o uso de grossas correntes. Os condutores de auto que não conseguem vaga no referido estacionamento colocam os seus carros no sentido vertical com dois pneus na calçada e dois pneus no asfalto encostando-se à traseira dos carros que estão estacionados no cercado obrigando pedestres a concorrer na via de rolamento com os veículos que circulam em alta velocidade colocando em riscos suas vidas (as pessoas com deficiência nem se fala). Demonstramos aqui a ínfima responsabilidade e compromisso das autoridades com a sociedade e principalmente com os cidadãos e cidadãs com algum tipo de deficiência desrespeitando uma vasta legislação federal vigente no Brasil pertinente a pessoa com deficiência para o nosso atendimento, inserção, inclusão e respeitabilidade.

Não podemos mais suportar calados esse tipo de descaso. É necessário que aqueles que se auto intitulam defensores das causas das pessoas com deficiência, que em seus discursos e eventos como seminários, congressos, conferencias e fóruns tragam suas teorias para a prática para que se torne palpável e físico e que nossa acessibilidade em Teresina não seja apenas o real canto da sereia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima